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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O fim de uma saga



E aconteceu que, como todos sabem, eu e o Tyler, vulgo "Marido", estávamos trabalhando no mesmo local, por coincidência ou ironia do destino. Nesse ínterim, fiz amizade com uma bela moça, Sunshine, que sentou-se ao meu lado (ela era da equipe do segundo andar, mas veio fazer um trampo no local, e nos tornamos amigos com facilidade). Ela também tornou-se amiga do Tyler, e em uma festinha de confraternização de aniversariantes do mês, eu o encontrei. Ele apertou minha mão, olhando nos meus olhos, e depois saiu. Fiquei observando-o de longe, de amizade junto a outros que eu desconfiava serem gays do setor de cima. Como eu podia ser tão deslocado naquele lugar? Todos pareciam ter um lugar. Até a Sunshine tinha sua equipe.


Um dia fui lanchar com a Sunshine e o Tyler surgiu. Conversamos um pouco. Falaram sobre o show da Katy Perry e eu fiquei na minha. Como a Sunshine podia ser tão cega de não ver que ele era gay? E como ele podia ser tão hipócrita e ficar tão na defensiva? Um ar de tensão ficou pairando entre nós três. A Sunshine me contou que o Tyler tinha lhe dito que se ela não namorasse, ele a pediria. Eu devia ter dito: “É, ele diz isso pra todos...”
Algumas vezes o yler foi no meu local de trabalho e eu (tonto) ficava esperando ao menos um cumprimento. Nem isso acontecia.
Então, os meses se passaram, e fiquei sabendo que o contrato do Tyler iria vencer, tal como o da Sunshine, ambos temporários. Fiquei triste principalmente por ela. Minha única companheira. Ela conseguiu destacar-se nos últimos dias e continuar efetiva na empresa, mas Tyler não teve a mesma sorte.
Alguns dias antes do fim para o Tyler, eu voltava do banheiro e ele surgiu no corredor.
“Ei, estou indo almoçar, quer vir?”
Perguntou, e eu me lembrei de todas as chances que ele teve de me fazer aquele convite e do quanto insisti para que acontecesse.
“Não, vou mais tarde.”
Ali, me libertei... 
No dia do Tyler partir, ele foi ao meu setor. Despediu-se de sua amiga no local, e nem olhei para ele. Ele partiu sem nem olhar para mim. Assim, terminou aquele sonho de uma pessoa inocente. Eu sempre acreditei em suas palavras enquanto era online e irreal. Mas então, quando tornou-se real, vi a verdade de uma pessoa muito mal resolvida emocionalmente. E me vi nele. Mas ao contrário dele, ao menos não minto mais pra mim.
O último resquício de um romântico esperançoso morreu com aquele adeus silencioso. Chegou a hora de nascer um Rud prático, desprovido de sentimentalismo. Assim é o mundo gay. Frio, carnal e mentiroso, e preciso sobreviver nele...

domingo, 13 de março de 2011

Amor eterno e incondicional...

"Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo."

O Pequeno Principe



Hoje vou falar sobre o amor. O amor em sua forma mais incondicional existente. O amor mais puro de todo o universo. Hoje vou falar de um ser que mudou o rumo da minha vida nos últimos onze anos, mais especificamente nos quatro ou cinco últimos. Seu nome era Xuxa, uma cachorra que viveu junto conosco por todo esse tempo, nos trazendo alegrias, preocupações e transformando nossas vidas de forma inimaginável.





Xuxa, que nunca soubemos de qual raça era (talvez uma mistura de Yorkshire com vira-lata), dessas que não crescem muito, foi sempre pequenininha, porém altiva e forte. Chamávamos de cachorra metida, pois passava com o rabão empinado e parecia ser chefe dos cachorros do quintal, sendo a mais velha da trupe. Cachorros vieram e cachorros foram, mas ela perdurou. Como moramos em um quintal familiar, inicielmente ela pertencia às nossas primas. Mas um fato mudou tudo alguns anos atrás.

Xuxa engravidou. Como todos sabem, cachorras quando engravidam vão ter os filhotes em locais escondidos. Ela se escondeu perto de minha casa, dentro de uns entulhos, e minha mãe, vendo aquilo, ajudou acomodando-a e a seus filhotes quando esses nasceram.

Mais ou menos um mês depois, deu uma enchente aqui no quintal, e, desesperada, a Xuxa subiu em um local mais alto, uivando pra que alguém salvasse seus filhotes. Minha mãe foi quem os salvou e colocou junto dela. Após desmamarem, as filhotes foram dadas, mas daquele salvamento nasceu o maior amor que eu já vi. Xuxa abandonou seus donos antigos, ficando na nossa porta, às vezes entrando em casa. Criamos um cantinho pra ela com uma almofada e ela passou a viver aqui. Sempre que eu ia no banheiro, passava por ela e ela me acompanhava até a porta, esperando que eu saísse. Quando saía, à enchia de carinho e ela, toda manhosa, ficava choramingando. Pode-se ter certeza que nenhum bicho recebeu mais carinho nesse mundo do que ela.

Quando minha mãe saía pra algum lugar, a Xuxa ficava agitada, apreensiva e estressada, correndo pelos cantos farejando. O sossego só vinha quando minha mãe chegava. Ai era só festa. Ela sempre pulava e agarrava com suas patas nossas cochas, abaixando sua cabeça enquanto fazíamos carinho, choramingando como um filhote carente.

Decidimos não arriscar outra gravidêz e mandamos castrar a Xuxa. No dia em que a mulher veio buscá-la para castrar e a colocou na jaulinha, ela ficou nos olhando com aqueles olhões e nos bateu a primeira preocupação. Não aguentava ver aqueles olhos gigantes me encarando sem poder fazer nada. Mas ela voltou bem, e a médica disse que durante a castração, encontrou um princípio de câncer nela, mas conseguiu retirar antes que fosse um perigo. Se não à tivéssemos castrado, provavelmente teria durado mais alguns meses. Sua vida foi prolongada por anos.

Passei a me preocupar muito com a Xuxa quando soube que por duas vezes o carro tinha parado em cima dela, e ao invés de se esquivar, ela se encolhia no meio da rua. Sempre que um carro derrapava na rua ou brecava, eu corria pra ver se ela estava bem. Estabeleci uma relação quase de pai com ela, cuidando e dando todo o amor possível.

No fim do ano passado a orelha dela inchou e tivémos que levar ao veterinário pra fazer uma punsão (enfiar uma agulha pra tirar o sangue). Foi um dos momentos mais horríveis da minha vida ter que segurá-la pra realizar o procedimento sem anestesia devido á idade dela. Ela ficou com um cone na cabeça, desesperada pra poder coçar a orelha e no primeiro dia, desapareceu sem deixar pistas. Desesperado, fui atrás dela, correndo pelo bairro sem saber pra onde ir. Sentei no degrau de um bar fechado e pedi que ela estivesse bem, desesperado. Meu maior medo era que ela sumisse. Quando voltei pra casa, descobri que ela se refugiou debaixo da cama da sua antiga dona. Nunca fiquei tão aliviado.

No natal de 2010, sem nada pra fazer, eu passei com ela, que latia conta as bombas enquanto eu à abraçava, desejando um novo ano ótimo a ela. Compartilhamos muitos momentos juntos, repletos de felicidade. Ela ia de manhã fazer caminhada com minha mãe, se divertindo no parque aqui do lado de casa. Estava presente em todas as reuniões de família, era super lambida com as visitas, sempre esperando carinho.

Então, há dois meses mais ou menos, percebemos um inchaço em uma de suas mamas. Não achamos ser nada grave mas o inchaço aumentou e levamos no veterinário. A doutora diagnosticou como câncer (havia voltado) e disse que viajaria na próxima semana e poderia fazer a operação na semana seguinte. Esperamos, cometendo o maior erro de nossas vidas. Xuxa foi levada pra operação na semana seguinte e ficamos apreensivos no dia. Recebi a ligação e a doutora pediu pra eu ir com minha mãe até lá. Logo que chegamos, mesmo sem dizer uma palavra, ela começou a latir desesperada, presa numa jaula, provavelmente só sentiu nosso cheiro. A doutora disse que o câncer era irreversível e que a única opção era esperar. Quando o momento chegasse, teríamos que levá-la ao sacrifício. Com o pelo raspado bem curtinho (ela sempre foi peluda), Xuxa voltou pra casa, comendo na sua vasilhinha de comida. Vendo aquela cena, me dei conta da situação e comecei a chorar. Nos próximos dias, demos todo o amor possível a ela, já que era a única coisa que podíamos fazer. Ela foi forte o tempo todo. Colocamos uma almofada bem macia no quarto que era da minha irmã e ela passou a dormir lá, mas antes de dormir, ficava sempre na sala enquanto estávamos aqui, do lado da perna da minha mãe, fazendo parte de todos os momentos possíveis. Quando não queria comer, dávamos a ração na boca dela, que fazia um esforço. Um dia cheguei do serviço e me sentei do lado dela, colocando sua cabeça no meu colo. Cada vez que eu parava de fazer carinho, ela levantava a pata querendo mais. Dei comida na boca dela e fiquei lá o maior tempão. Sua respiração ficou bem difícil nos últimos dias, pois o câncer espalhara-se por todos os seus órgãos. Ontem, antes de dormir, passei no quarto dela e, como há muito tempo não fazia, ela abanou o rabo pra mim, que passei a mão nela antes de ir, sem nem imaginar ser uma despedida.

Hoje minha mãe me acordou dizendo que ela tinha falecido e fui me despedir. Prefiro pensar que ela morreu dormindo. Fomos enterrá-la perto da estrada e foi impossível conter as lágrimas e se lembrar dos bons momentos. Xuxa não morreu, apenas partiu, e está viva em nossos corações. Tenho certeza que há um local reservado pra todas essas almas que mudam nossas vidas com seu amor incondicional e sua alegria. Vou sempre me lembrar desse amor, por que tirando o familiar e de amizades mais próximas, foi o único que senti em plenitude e sinceridade. Só queria ter certeza de que um dia vou reencontrá-la e que um dia vou poder novamente lhe fazer carinho em algum lugar. Nessas horas a gente perde a fé, perde tudo. De que valem as conquistas se a gente perde quem ama? Espero que ela saiba que foi amada por nós, e que esteja olhando por nós lá de cima.

Boa viagem, Xuxa, e obrigado por nos proporcionar os melhores anos de nossas vidas.
sexta-feira, 11 de março de 2011

Caminhos cruzados: Apresentando: Aquele que não podia ser encontrado



A vida é mesmo muito engraçada, cheia de embaraços, um "castelo de caminhos cruzados" (ótimo livro), um emaranhado de entrelaços cósmicos estranhos e bizarros. Aquelas certezas no interior do poço parecem elucidar-se lá do fundo da escuridão do esquecimento, querendo voltar. Sim, a vida é mesmo uma batalha entre os destinos invisíveis se digladiando numa arena dentro de nós. Os últimos acontecimentos, um deles em especial, selaram os últimos tempos de minha vida com chave de ouro.

Tudo começou no ano passado, quando fui na turma da noite e vi um rapazinho em um dos grupos de designer que achei muito lindinho. Convidei ele e seu grupo para assistirem minha apresentação de TCC e eles foram, foi bem legal.

Voltando ao presente, decidi nã ficar em casa esperando a segunda feira de carnaval, na qual eu trabalharia (injustamente, porém sem nem ligar, já que estava muito empolgado pra começar) e ir à "B" (cansei da "T") me acabar na pista. Fui à balada e quase me perdi pra chegar lá, mas consegui. Aguardei a entrada na fila e entrei. Foi bem legal a balada, inclusive o show que teve, dos quais não sou fã, foi bem interessante, assisti inteiro e curti. Em um momento do show, vi do outro lado do palco um rapaz. Quando vi, fiquei encantado. Ele me deu umas olhadas do outro lado do palco, meio desconfiado, e fiquei olhando sem parar. Então, me bateu uma dúvida:

"Eu conheço esse rapaz!"

Fiquei encafifado. Quem era ele? Eu lembrei de sua fisionomia de algum lugar. Após o término do show na pista principal, fui para a pista mais tranquila e sentei no sofá, ficando de boa. O rapazinho apareceu naquela pista também e ficou conversando com um amigo. Foi então que eu recordei.

Sim, era o designer da turma da noite.

Mas não tinha certeza. Será que era ele? Fiquei intrigado o resto da noite, e até nos cruzamos de novo, mas ele meio que virou a cara... deixei quieto. Fui embora pensativo: A balada foi boa, mas acho que tenho problemas com balada, pois não me acabo de dançar como a maioria e saio de lá faltando algo. Que careta eu sou....

Bom, cheguei em casa e só me restava esperar o dia seguinte, primeiro dia em um emprego novo com tudo novo de novo. E o medo de novo também. Só o que eu queria é parar de aprender. Tive um mês de aprendizado no teleatendimento e agora terei novos processos de aprendizagem. Isso cansa. Não que esteja reclamando, só estou observando.

Dia seguinte, fui pra nova empresa. Ansioso, empolgado, temeroso. Seria o único novato na equipe, o único a entrar, conhecer um grupo já formado. Bateu a insegurança natural. Cheguei e esperei até encontrar uma mulher da qualidade, Katia, que me levou para conhecer a equipe do estúdio que fica em uma porta ao lado da operação, com uma porta de metal escrito "Somente pessoal autorizado". Me senti importante. Conheci a equipe que dali em diante dividiria experiências (na verdade, por ser feriado, só tinham dois da minha equipe, de webdesigners, mais três da equipe de vídeo e fotografia e mais duas da equipe de multimidia, todos dividindo o mesmo espaço, o estúdio. Os rapazes foram bem hospitalheiros com minha chegada, mas não fiquei por lá muito tempo. A Katia fez questão de me levar ao terceiro andar para conhecer a equipe de produção, que trabalha em conjunto com os designers (sempre quis dizer "os designers" incluindo-me na equipe, em voz alta, hehe). Agradecerei a Kátia por toda minha vida por esse tour.

No andar de cima, conheci a equipe de produção, conheci a equipe de qualidade (com um rapaz que achei muito gato) e caminhei para a terceira fileira, do pessoal responsável por livros. O primeiro rapaz girou a cadeira e meus olhos encararam sua face. Nossas mãos se cumprimentaram, selando uma resposta à pergunta que ficou aberta há tempos. Como um flashback de filme, me veio à mente a primeira conversa que tive com aquele rapaz encantador pelo msn, com o qual combinei de me casar, e que depois ficou me mandando mensagens por diversos meios de comunicação como orkut, sms... rapaz que morava na mesma cidade que eu e que, no fim das contas, acabei nem me encontrando, achando ser apenas uma relação ilusória, um produto de minha imaginação. Vocês, caros leitores, se lembram de Tyler? O também chamado aqui no blog de "marido"? Pois é... ele existe. E naquele instante único, apertamos as mãos, saindo faíscas dos olhos mediante nosso reconhecimento imediato. Destinos cruzados, afinal...

Continuei cumprimentando as outras pessoas, esquecendo nomes, esquecendo fisionomias e Katia se sentou comigo explicando o sistema da empresa, mas suas palavras pareciam estar em outra lingua, eu a via falando e não estava entendendo, eu só conseguia pensar naquela troca de olhares, naquele destino selado, naquele instante.

Descemos, e de tarde, após o almoço, mandei mensagem no celular do Tyler, perguntando se era ele que eu tinha conhecido na empresa. Não obtive resposta. O restante do dia foi aprender o que eu ia fazer dali em diante. Mecher no Mac é um desafio à parte e vendo os rapazes mechendo no Photoshop, vi que terei que ralar pra chegar ao nível deles. O desafio será grande. Cheguei em casa, mandei mensagem pelo orkut ao Tyler. Nada de resposta também. Comecei a ficar irritado. Afinal, era ele ou não era?

Desisti de correr atrás. Tyler sempre foi um rapaz reservado, e eu acredito que ele não iria querer ter contato comigo na empresa, o que poderia, na cabeça dele, revelar seu segredo ou algo do tipo. Decidi deixar pra lá.

No dia seguinte, finalmente conheci a equipe toda de trabalho, todos me zoaram por começar no feriado e foi legal. São 7 webdesigners, mais eu e a supervisora, Andréia, amiga do meu irmão que fez a entrevista. Sentei ao lado dela, que começou a ensinar os processos. Aos poucos estou pegando bem. Ela me levou para o andar superior pra conhecer a chefia e passei na fileira do Tyler. Não olhei para ele, só de canto de olho, e ele estava vitrado no computador. Descemos, e voltei a trampar de boa. No fim da tarde, recebi uma mensagem dele:

"Você não recebeu meu sms pelo jeito, não é?"

Respondi que não, e ele disse que tentou mandar aos meus dois celulares. Disse que não recebi nada e pedi que ele reenviasse o que tinha mandado. Não obtive resposta. Enviei mais duas mensagens e nada. Isso me deixou irritado de novo. Pedi à minha supervisora pra me deixar ir me desligar do teleatendimento no dia seguinte e ela deixou, mas eu ainda teria que ir trabalhar a tarde.

No trem, indo para a empresa, mandei uma mensagem sincera ao ex-marido:

"Olha, cara, na boa, não quero atrapalhar sua vida. Sou um cara bem discreto como você, mas vou respeitar se não quer ter contato comigo. Desejo tudo de bom pra você, não vou forçar a barra. Só queria te conhecer em nome da amizade que um dia tivemos. Boa sorte ai, man..."

Não deu nem cinco minutos, recebi uma mensagem dele falando que queria almoçar comigo mas que não respondi as mensagens dele, pedindo que eu não fizesse o que ameassei (tá vendo como pressionando as mensagens dele chegam?). Ele combinou de almoçarmos juntos amanhã. Realmente esse é um dos períodos mais compensadores de minha existência, mas não tenho expectativas com o rapaz, procuro nesse instante uma boa amizade com ele. Já chega o quanto fomos precipitados no início da relação. Agora é esperar pelos próximos acontecimentos que hão de vir. Minha supervisora disse que no dia seguinte entraria uma equipe de novos integrantes no setor de livros, em que o Tyler trabalha, e eu iria assistir as explicações deles pra ficar por dentro. Bateu um medo de ver o rapaz na minha frente, duvido que consigo prestar total atenção no que me explicarem...

Enfim, como escrevi no msn: "Caminhante, não há caminho. Faz-se o caminho ao andar." Metade de mim está resolvida, agora só falta o coração...
domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pequenas desilusões: Apresentando: A mini- Obi



Fiquei sem net por um tempo, por isso a falta de atualizações por aqui..... 

Bom, entrei no emprego de telatendimento e desde então tenho desligado minha cosciência para tentar sobreviver aos fatos que tenho passado. A vida tomou rumos inesperados e prometi que 2011 será um ano de experimentação e busca de minha identidade profissional. É o ano de eu desengavetar projetos. Mas enquanto não tenho grana pra pagar minhas contas nada disso é possível. Então estou dedicando esse tempo ao trabalho e no interim, escrevendo muito meus livros pra tentar a sorte na editora.

A experiência como teleatendimento é algo totalmente novo, e somente o fato de estar trabalhando já deu um UP em minha vida, ainda que em algo indesejado. Em três semanas conheci mais gente que no último ano em que passei, e essa é a parte boa de se ter uma vida social.

No primeiro dia de treinamento, fui para a última fileira e avistei na fileira da frente um rapaz de olhos verdes, cabelos arrepiados, brinco na orelha e tímido em seu canto. Aproveitei que a fileira dele estava praticamente vazia e pulei para ao lado dele. Tudo indicava, segundo minha primeira impressão, que se tratava de um gay. Quando ele abriu a boca, eu tive certeza. Tinha uma voz estranha, bem afeminada, porém misturada a um jeito meio mano para disfarsar. Quase não conversamos durante a aula, mas justo meu computador estava sem net e eu tive que ler as coisas com ele. Começamos a conversar mais. Seu nome era Reinan.

Em um certo momento, uma mulher comentou que na empresa, os homens mais bonitos eram todos gays. Então, o Reinan disse "geeeentiiii", de uma forma bem gay, começando a soltar as asinhas. Achei estranho ele zoar daquele jeito. Minhas suspeitas caíram por terra. Reinan não era gay. Ele começou a contar das meninas que pegava, andando no intervalo com uma garota que estava em seu "esquema". Para falar de mulheres, recorria ao rapaz do meu lado, Mauricio, um mulato alto e gostoso, que estava gostando de uma menina da sala e atá chegou a ter um lance com ela.

Com o tempo, a amizade com o Reinan foi crescendo. Na prova, nos ajudamos, nos intervalos, ficavamos conversando, foi bem interessante. Algo estúpido começou a crescer dentro de mim. Cada vez que via seu sorriso, cada vez que ele fazia uma piada, rindo bobamente, eu ia me encantando mais e mais. Não demorou muito...

....nasceu uma mini-Obi...

Tenho pretenção a causas impossíveis. É triste quando isso acontece. A verdade é que minhas expectativas frustradas criaram isso tudo. Na segunda semana de treinamento, conheci um rapaz na internet e tivemos um papo legal sobre querer namorar. Aproveitando que ele estuda na Barra funda assim como eu trabalho por lá, combinamos de nos encontrar no dia seguinte. O esperei na catraca, cheguei bem mais cedo do que o horário. De repente, meu irmão surgiu, contando estar indo ao tabalho e contei onde estava trabalhando. Avistei o rapaz, Tulio, do outro lado da catraca e, enquanto conversava com meu irmão, sinalizei para que ele esperasse. Após meu irmão partir, fui ao encontro dele.

Ele me acompanhou até a porta da empresa, e eu gostei muito de conhecê-lo. Fiquei bastante empolgado em ter algo com ele, em reencontrá-lo, e no fim do encontro perguntei se poderíamos nos encontrar de novo, ele disse que sim. No mesmo dia, minha internet cortou e pela lanhouse, enviei meu telefone pedindo que ele me ligasse. Ele disse então por scrap que tinha algo importante pra me dizer mas que contaria quando sua net voltasse. Limpou meu recado dos telefones e não enviou os dele e nem mais nenhuma mensagem. Foi um baque, e pra esquecer, comecei com essa palhaçada de investir forças no impossível.

Durante o treinamento, acabei criando uma mentira pra me encaixar. Uma garota perguntou se eu já tinha namorado e eu falei que sim:

"Namorei por três meses... mas não deu muito certo."

"Por que não?"

"Por que eu estava no fim da faculdade e estressado, foi um período muito difícil e a gente acabou brigando muito... Tentamos ser amigos mas mesmo assim não deu certo."

O Maurício ouviu nossa conversa e, identificando-se com a situação, veio conversar depois.

"Estou na fase da amizade com minha ex, mas também nao está dando certo."

"Ah, cara, desiste... mulheres são muito complicadas..."

Que merda, o que eu sabia sobre mulheres pra falar. Me senti ordinariamente patético naquele dia, mas não vou mentir mais. As vezes será difícil, mas vou tentar ao máximo ser verdadeiro. Comecei a atender no emprego há dois dias atrás. O primeiro foi um caos, o segundo até que foi melhor. O bom de teleatendimento é que tem muito gay  (porém até agora a maioria me pareceu esnobe e se sentindo meio superior) e não me sinto tão reprimido, porém preciso criar coragem pra ser eu mesmo...

Minha mais nova OBI me adicionou no orkut e vi que ele está namorando. Minha internet voltou e acho que posso tentar seguir em frente... Tomara.
sábado, 12 de fevereiro de 2011

As portas do novo mundo: Apresentando: O simpatizante



No primeiro dia de um novo destino, não um que eu desejei, mas pelo contrário, um que sempre temi, fui na parte da tarde fazer integração na empresa, apesar de meu horário ser de manhã, excepcionalmente naquele dia eu tinha médico no período da manhã. Finalmente meu tratamento de ácne com o remédio Roiacutan acabou e eu não teria mais os efeitos colaterais de secura nos lábios que por mais de seis meses me atormentavam. Após mais de dez anos com ácne, finalmente meu rosto está limpo e fiquei muito feliz com o fechamento de mais um ciclo. Agora teremos que ver os resultados a longo prazo e em seguida tratar as quase apagadas cicatrizes com outros remédios.

Na empresa, cheguei debaixo do sol quente, atrasado por não saber ao certo a localização da empresa e lá estava o homofóbico. Apenas falei "oi" sem nem cumprimentá-lo com a mão. Conversamos um pouco e chegou a hora de ir pra sala. Sozinho, olhei à minha volta a fim de identificar um gay solitário. Lá estava ele. Um mestiço de japonês com brasileiro, sentando-se sozinho. Mesmo sem ninguém ao lado dele, sentei próximo. Dei um sorrisinho simpático e ele retribuiu, fazendo algum comentário sobre a sala que não me lembro.

"Qual seu nome?"

"Rud, e o seu?"

"Billy, tudo bem?"

Era o primeiro contato em um ambiente hostil. Fiquei contente que havia sido rápido. Durante a integração, conversamos um pouco e eu estava cada vez mais convencido que o cara era gay.

"Nossa, tem umas mina daora aqui, né meu..."

Ele disse, e então, como uma bexiga que murcha, como um farol que se apaga, como um pirulito caindo no chão, todas as minhas expectativas se esvaíram.

"É, tem..."

Eu disse, sem o menor ânimo. Fiquei pensativo. Eu tinha prometido a mim mesmo que não iria mais mentir com relação à minha sexualidade em nenhum lugar, e ali seria um bom local pra começar. Era hora de ser autêntico.

"Olha a foto da minha mina... ela é bem gostosa, é mais velha, tem 27."

"Pow, legal..."

No intervalo, descemos ao pátio e me sentei. Billy começou a falar no celular com a tal "mina". Eu não fiquei ouvindo a conversa, porém em um trecho, ele falou em voz alta:

"Lá no orkut, a sua foto do lado daquela bicha..."

Meu sangue ferveu. Será possível que eu era um imã de homofóbicos? Me levantei e ao meu lado, um rapaz olhou igualmente raivozo pro Billy, que sentiu o olhar do rapaz, que era visivelmente gay e estava visivelmente ofendido. Billy afastou-se e comecei a encarar um rapaz que retribuiu. Nos encaramos um tempo mas o Billy voltou. Era um homofóbico atrapalhando minha caça...

Voltamos à sala e surgiram novos elogios às mulheres. Estava de saco cheio.

"Dei uma mancada lá no intervalo. Falei 'bicha ' perto de um gay, ele me olhou com uma cara..."

"É, eu reparei..."

"Cara, eu não tenho problema nenhum com gay... eu conheço muita gente desse meio, saio eu, minha mina e muito gay. Vou nas balada e pego as mina, tá ligado, as lésbica..."

"Sei..."

Era minha deixa:

"Já foi na 'T'?"

Ele me olhou com um pouco de espanto.

"Conheço a 'T' de nome.... você também curte o negócio?"

"Sim, curto muito esse negócio todo."

A partir daí, viramos MA (melhores amigos) quase que instantâneamente, falando abertamente sobre a maioria das coisas de forma tranquila e aberta. Descemos ao banheiro junto a outras pessoas e ele me perguntou:

"Mas e ai, já beijou mina alguma vez?"

"Hmm... não, nunca..."

"Caraca, então você é 100%"

"Isso ai..."

De volta à sala, ficamos identificando os gays e as lésbicas, só de olhar dava pra sacar muitos. A cada gesto denunciador de alguns, nos olhávamos e ríamos... Ficamos muito íntimos, trocamos orkut e msn, muito legal o contato.

Próximo à hora de ir embora, Billy disse que seria muito legal se fizéssemos o treinamento juntos, mas ele tinha escolhido o horário da madrugada pra trabalhar, enquanto eu estava no da manhã. Concordei que seria bem legal estarmos juntos e a responsável pela integração veio falar os horários de treinamento.

"Só os três nomes que eu falar irão fazer treinamento de manhã, os outros será a tarde."

Meu nome foi o segundo a ser dito. Eu estava de manhã. Mesmo chateado, Billy disse que dali em diante seríamos grandes companheiros de saída e papo pela net e pelas baladas da vida. Na estação de trem (fomos juntos) nos despedimos e voltei pra casa otimista. Se todas as pessoas que eu conhecer nessa fase forem assim, estarei em boas mãos.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Início de ano: Parte VIII: Final: Brainstorm: Sonhos esperando



O mês de Janeiro está quase se findando. Foi um mês de muitos encontros, frustrações, desencontros e surpresas. Posso dizer que nesse mês encontrei QUASE todos os meus amigos. 

Me encontrei com o Fulando, vindo da sua terra distante para passar as férias e tivemos uma discussão no meio de uma viagem de trem. Chegamos à bizarra conclusão de que à distância nos damos melhor do que perto.

No início do filme Harry Potter e as relíquias da morte, uma cena me chocou muito. Hermione, uma das principais, apaga suas fotos dos álbuns de família e a memória de seus pais de que ela existiu, como o prenúncio de uma guerra prestes a começar. Como eu queria me apagar da existência por um tempo...

Eu e o Doug tivemos uma DR por msn na qual discutimos sobre nosso lance. Ele disse que não sentiu interesse da minha parte e dançou conforme a música. Realmente não demonstrei interesse. Ele me ofuscava demais. Por enquanto não sou nada. Sou só um coletivo de sonhos esperando se realizarem...

Minha vida amorosa tem sido nula. A ordem agora é resolver socialmente pra depois investir emocionalmente. Sem grana não dá nem pra existir hoje em dia. Compro, logo existo... Não penso assim, porém a sociedade consumista nos obriga a nos adaptar. O único programa para pessoas sem dinheiro é passeio no parque, que eu adoro, mas que não agrada muita gente. Ah, e São Paulo é uma cidade mega cultural que oferece diversos eventos também, mas pra achar é difícil.

Isso me lembra a Hayashi, uma "amiga" que brigou comigo por eu não ter grana pra sair com ela e por não gostar de me socializar com os amigos dela... Ela me visitou no portão de casa depois de eu achar que nunca mais a veria. E foi muito estranho. Não consigo fingir que tudo está bem quando não está. Essa coisa de amizade é complicada.

Essa complicação pode ser vista no filme "a rede social", chocante e épico, mostrando o criador do famoso facebook como um rapaz mesquinho que traiu o melhor amigo para ser o jovem mais rico do mundo. Adorei a ironia: O homem que criou a rede social de um milhão de amigos não tem nenhum amigo...

Tive um desencontro com o Ed no dia que fui procurar emprego na Lapa, local onde ele pega ônibus para voltar ao fim de mundo onde mora. Uma pena não tê-lo encontrado, soube que ele pintou o cabelo de roxo. Eu ia rir muito.

Assisti a animação Como treinar seu dragão... como a amizade com os animais é sincera... o filme é sensacional, quase fui às lágrimas em alguns momentos. Estou tão emotivo ultimamente... Falando em bichos, me lembro que minha cachorra está doente, preciso de grana pra levá-la ao veterinário. Minha precisão por dinheiro me levou a atitudes bem controversas a tudo que discursei no ano passado. Fiz entrevista para um sub-emprego e estou na fila de espera deles, agora estou vivendo uma bomba-relógio: Preciso arranjar emprego na minha área antes que me chamem por lá.

Eu e o Primo íamos a uma balada juntos mas devido a uns desentendimentos com o Albano, acabei não indo.

Nesse momento, vivo um dilema moral. Não posso entrar em detalhes, mas há uma coisa que se eu fizer, pode realizar um sonho que tenho, mas ao mesmo tempo, a burocratização por trás da realização desse sonho pode botá-lo a perder. Tenho que decidir se dou esse salto no escuro ou se adio o sonho em nome de sua segurança... ''Há nos negócios humanos uma corrente cujo fluxo, ao ser seguido, leva ao sucesso:Desprezado, todo o curso da vida do homem confina-se aos baixios e as tormentas" Segundo a presidente dos estados unidos na série 24 horas em sua última temporada e reta final eletrizante, essa frase da peça Julio Cesar de Willian Shakespeare significa: "É agora ou nunca", o que me faz lembrar da frase tema do filme póstumo do Michael Jackson This is It...

Eu e a Samara nos encontramos em Osasco. Ela, vinda do Piaui para passar as férias está do mesmo jeitinho da última vez que nos vimos, dois anos atrás. O passeio foi bem tranquilo, mas sem grandes novidades.

E assim vou indo, caminhando com todas as dúvidas e emoções desse princípio de 2011... em um mês está assim, que dirá em doze. Mês que vem, Nosso Lugar ao Sol faz aniversário de um aninho. Espero conseguir alguma surpresa (mas não garanto).

PS: acho que esse foi o brainstorm mais confuso que já escrevi... mas enfim, brainstorm não foi feito pra fazer sentido...
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Fim de ano: Parte I: Expectativas de Banca Final



Bom, essa é a última minissérie do ano, que emoção!! Nela narrarei meu fim de ano.


Para fechar com chave de ouro, junto com esse fim de ano vem minha formação acadêmica, que para mim é uma emoção à parte. Está na hora de esquecer minha falta de perspectiva para o futuro e me atentar no que deve ser feito agora: Sobreviver à banca final.


Para quem não sabe, todos os cursos (que conheço) têm o TCC, trabalho de conclusão de curso, no qual os alunos fazem um trabalho em que colocam em prática tudo que aprenderam. E meu TCC está centrado em mim, que sou o criador do roteiro e da animação da história, ficando para o homofóbico a programação, para a beata a parte textual e para o bipolar a parte gráfica e plano de comunicação. O que nos leva a meu maior desespero: Eu terei que apresentar diante de um público e banca.


Dentre as expectativas desse evento, estão o fato de eu ter chamado amigos da net, velhos companheiros de faculdade, todos os grupos ferrados da noite (cujos trabalhos eu assisti e posso dizer que em pontos técnicos o meu até supera, mas em conceito visual já não posso afirmar, deixemos o julgamento para a banca).


Eu fiz a besteira de mandar um convite a todos os meus contatos de E-mail e isso acabou incluindo amigos e ex-amigos (como a Hayashi, que eu ainda não voltei a falar e que se for, irá ser constrangedor e se não for irá definir o que somos agora um para o outro), meu ex (sim, o Thiago ficou super empolgado e vai estar lá se conseguir uma folga), o segurança ninfomaníaco (que inclusive já deu em cima do meu ex, o que fará desse encontro algo perigoso), o Kevin do trem (que não é meu atual, mas mesmo assim temos um rolinho), o Tyler, meu marido (que está sumido e provavelmente não irá, inventando depois uma desculpa) e meu irmão e sua mulher, os homofóbicos de plantão.......... Enfim, estou ferrado e tudo isso só aumenta meu nervozismo.


Assisti a todas as bancas e vi ótimos trabalhos, espero que o meu faça jus. E espero que todos torçam por mim.


De qualquer forma, o fim está próximo.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Persona: Quem sou e quem gostaria de ser



Nos últimos posts tenho feito uma série de perspectivas com relação ao que eu almejo. Já passei pelo quesito afetivo, profissional... E agora vem o mais complexo: O quesito pessoal.

Traçar um perfil psicológico do que eu tenho sido nos últimos dez anos e no que eu quero ser daqui para frente é uma tarefa complexa e talvez não possa colocar tudo em um único post, mas vou tentar.

Há dez anos atrás, eu tinha 14 anos e estava na 7° série do ensino fundamental. Foi nesse ano que eu conheci as duas pessoas mais importantes de minha vida: O fulano e a Hayashi. Melhores amigos, eles me ensinaram muito. Na 7° série eu era um garoto deslocado, que vivia com o grupinho dos menos inteligentes e bagunceiros. Nesse ano, foi a transição em minha vida, pois fui para o grupo dos nerds (do qual nunca mais saí).

Com o término do colegial, me tornei uma pessoa reclusa. Dessas que não curte sair, e que quando sai parece ser uma obrigação e até um grande evento, e que tudo que acontece quando sai merece ser postado num blog................................

O que posso dizer é que sou recluso. Prefiro sair sozinho ou com apenas um amigo, para que eu seja o foco de sua atenção e para que eu só precise conversar com essa pessoa. Grupos me incomodam. Aprecio a solidão do meu quarto. O problema dessa personalidade isolada é que as pessoas "sociais" acabam se afastando de você. E acabo sozinho sem gostar, já que não é mais por opção, é por ter sido cortado. Já cortei pessoas da minha vida, já fui cortado da vida de muitas pessoas.

O que mais me angustia é a inércia. É a sensação de que em dez anos pouco mudou. Quando encontro com amigos do colégio que não falava faz tempo, vejo que eles estão sempre casados, amando ou felizes em sua vida resolvida. Em dez anos sou o mesmo garoto que não trabalha, que nunca amou ninguém e que está aqui, parado no tempo, vivendo na casa dos pais, esperando algo acontecer.

Tenho quatro amigos de sangue (daqueles que contaria que matei alguém), sendo duas héteros e dois gays. Uma das héteros mudou-se para o Piauí, e nosso contato é raro por E-mail... A outra hétero, Hayashi. Nossa amizade vivia em um constante equilíbrio, já que nós dois só tinhamos um ao outro, considerando que seus verdadeiros amigos ficaram em sua outra cidade, onde ela vivia. E tudo ia bem. Compartilhamos juntos o sonho da mudança, de encontrarmos pessoas por essa vida que nos guiassem para novos caminhos. Mas desejamos isso juntos. O caso é que ela foi a um evento (para o qual me chamou) em que trabalharia uma semana como apoio, e eu não fui. Lá, ela encontrou o que procurava. Além de ter conhecido o amor da sua vida, encontrou amigos e contatos pessoais e profissionais que mudaram tudo.

E eu...

Bom, eu fiquei. Acompanhando da estação mais um trem que se vai. Hayashi me levou para um encontro com seu mais novo grupo, e a sensação foi desastrosa. Fiquei deslocado diante daquele papo super nerd. Simplesmente eu não estive presente no lugar ao sol deles, eu era a peça fora do tabuleiro. Foi uma noite péssima. O que se seguiu foi uma amizade enfraquecendo-se cada vez mais. Sempre que ela me chamava, eu não podia ir por falta de grana e por não querer ficar novamente deslocado. Eu estava perdendo-a.

E a situação culminou no fim de semana em que ela me chamou para ir ao cinema e eu disse que só iria se conseguisse que um de meus amigos fossem. Ela considerou que eu estava chamando seu namorado e sua amiga de "nada", já que minha presença só seria confirmada caso eu conseguisse levar alguém. Disse ainda que eu tinha que mudar e que não dava pra ficar como eu estava, com medo de conhecer gente. Disse que queria me ajudar. E fechou com chave de ouro.

"Mas faz assim.... nem vá... não quero favores e desculpa... NUNCA mais tento lhe ajudar. Se é feliz assim fique desse jeito."

O que a hayashi não entende é que ela teve seu "Turning point", ela teve a grande virada em sua vida, aquele momento em que ela juntou oportunidade com atitude e conheceu um novo mundo. Ela mudou. Eu não.

Não devemos querer forçar ninguém a mudar. E não devemos também nos forçar a mudar. Eu tentei fazer isso me encontrando com um grupo gay de rapazes na virada cultural e de lá não tirei nenhuma amizade proveitosa (O Albano só serviu pra que eu conhecese o Primo, nada mais). Eu ainda não cheguei a um ponto em que diga que esse é o ponto de virada, e quando eu chegar, espero poder levar aqueles que mais amo comigo, não virar as costas para eles como alguns. O fato é que minha "melhor amiga" conheceu o homem de sua vida e essa história é velha: Quando amamos e nos entregamos demais à essa pessoa, todo o restante parece perder a importância. Mas existem duas questões muito perigosas em se esquecer de quem é importante:

1. Essa pessoa pela qual você vira as costas para seu mundo pode não durar para sempre na sua vida (relacionamentos começam e podem se acabar).

2. Voltar com o rabo entre as pernas pedindo colo pode ser bem constrangedor e a mágoa e o buraco deixado em quem você abandonou pode ser grande demais.

Bom, eu sempre acreditei em nossa amizade, mas essa é a primeira vez em que não sinto vontade alguma de buscá-la. É a primeira vez em que me sinto leve. Amizades não devem ser um fardo. Devem nos deixar bem. Mas eu considero que essas sacudidas podem ser um reforço caso a amizade seja real. Se é que não é real só para um dos dois lados...

Voltando à questão de estar no mesmo ponto em que estava há dez anos, devo ressaltar que fiz progressos.

Eu conheci a noite gay paulistana, que me salvou de muitos tempos de solidão

Eu escapei do exército e com curso profissionalizante entrei para a área de Logística

Descobri o designer como profissão e me identifiquei muito

Coloquei aparelhos nos dentes, que estão melhorando muito

Estou em tratamento de acne em sua reta final, o que para mim é muito importante resolver, já que minha auto-estima é um ponto a ser trabalhado

Consultei uma psicóloga para me encontrar (apesar da pobre estar meio perdida)

Superei todas as nêuras iniciais de ir pra cama com um cara (o que me trouxe de presente nêuras novas e quentinhas saídas do forno)

Tive um relacionamento de três meses que me fez ter uma idéia do que é gostar, sentir ciúmes e superar no término

Me formarei no fim do ano

Acho que esses são os progressos e as mudanças que nos últimos anos fizeram a grande diferença entre o que eu era e o que eu sou. Nossa, lendo isso me sinto tão pequeno com relação aos progressos alheios...

Em contrapartida, há muito mais que preciso trabalhar em mim:

Socialização

Encontrar lugares em que me sinta bem em estar sem sofrer discriminação ou me sentir obrigado a ir

Sair mais de casa e não parecer um velho com medo do mundo e da vida

Fazer contatos profissionais

Me tornar um ser multicultural (essas pessoas legais que conhecem o mundo da cultura como cineastas de curtas, médias e longas, fãs disso e daquilo)

Me tornar um Webmaníaco (será que eu quero isso?) conhecedor das tendências e do que rola na rede, ainda que somente por caráter profissional

Ter perto de mim pessoas que queiram estar

Saber terminar relacionamentos

Saber começar relacionamentos

Abandonar a noite paulistana (a idade chegando, preciso de novas opções)

Desbravar novos horizontes

Arranjar emprego

Arranjar alguém com quem compartilhar a vida

Colocar sonhos e expectativas para fora da gaveta

Viajar mais

E sair do armário...

Acho que um ser humano nunca deve alcançar o conceito da perfeição, nunca deve estar somente de passagem curtindo o momento sem se importar e nunca deve estar pleno. O ser humano é falho, e admitir que erra é o princípio da superação de sí próprio. Pessoas que chegam ao ponto de dizer: "Eu mudei e estou muito feliz assim" são aquelas que estacionaram em um porto seguro e que vivem satisfeitas pelo que conquistaram, como velhinhos na varanda. O que vale na vida é o desafio de escalar montanhas e olhar do topo dela para as mais altas. Se eu não mudei ainda, é por que não tenho pressa. Aprecio o vento no topo de cada mntanha, sem medo de deslizar e recomeçar do zero. "Sou errado, sou errante, sempre na estrada, sempre distante".

Minha frase em homenagem à estagnação e ao tédio: 

"Nada é mais crítico do que a força exercida pelo tédio que consome minha existência com sua falta de lirismo e renovação."

Boa sorte aos amigos ausentes...
terça-feira, 12 de outubro de 2010

Experiência 3.9 e 4.5


Eu e Alehandro marcamos de nos encontrar na sexta feira, mas chegou no dia e ele disse que teria que ir na irmã dele e só poderia me pegar às dez, o que acarretaria no fato de eu ter que dormir na casa dele, para meu desespero. Não que eu não seja maduro suficiente pra dormir na casa de um homem, mas há diversos níveis de intimidade pra eu ficar a vontade com esse evento.


Pensei bem e quase desisti, mas resolvi aceitar dormir lá. Nos encontramos na estação e ele quase me arrastou para o Autorama, um estacionamento onde os gays ficam paquerando e se pegando a noite toda, mas eu (chato que só eu) falei que não queria ir. Então caminhamos pra casa dele mas antes passamos em uma pizzaria, onde ele comprou uma pizza (nããão...) e levou junto para comermos.


Na casa dele, conheci o gato que estava doente (típico, homem de 39, mora sozinho, tinha que ter um gato). O gato ficou me encarando, não pareceu gostar de mim. Me perguntei quantos outros garotos aquele gato não ficou encarando até hoje...


Após enchermos o bucho de pizza, ele colocou o gato na cozinha e começamos a nos beijar. Apagou a luz e acendeu uma outra, daquelas de balada que fazem o branco brilhar, e sua roupa era toda branca. Com aquele corpo monumental (o mais perfeito que eu já vi ao vivo) ele me envolveu e................


O que eu tenho a dizer é que essa foi minha mais plena experiencia em vida... Antes dessa noite eu era menino, e então virei homem, rsrs. Foi inesquecível, incrível, estonteante.


Depois de tudo, tomamos banho, ele me mostrou seu album de fotografias, falou sobre seu emprego no laboratório de física, onde transformam materiais dentro de uma caixa, e fiquei fascinado com ele, com seu poder de persuasão e com seu jeito com rapazes mais novos (convenhamos que um três ponto nove interessar um dois ponto quatro não é fácil). Dormimos na mesma cama, sem contato, e consegui dormir legal. De manhã, acordei primeiro e fiquei olhando-o dormir. E minha cabeça então começou a viajar.


Eu não me apaixonaria por um homem desse, mesmo com todos esses atributos. Desde o princípio eu determinei que ele seria apenas um rapaz com o qual eu faria sexo, e minha mente não permitiu nenhum tipo de aprofundamento, nenhuma centelha de pensamento de ter algo além daquela noite inesquecível. Eu não deixaria que nenhum sentimento me tomasse por que jamais confiaria em um homem com a vida que ele leva, com o perfil de onde o encontrei (o que não passa de um preconceito meu [?!?]). O fato é que nem olhando-o dormir e achando-o lindo com aquele rosto sem nenhum sinal da idade, eu consegui imaginar um "e se" entre nós.


Pela manhã, não nos beijamos, pareciamos dois conhecidos que dividiram a cama e que acordaram de manhã e partiram, mas a conversa que tivemos foi legal e natural. Eu disse que curti muito a noite e ele me deixou na estação. Não marcamos mais nada, nem sei se marcaremos. Após dormir no trem, vim caminhando pra casa e pensando.


"Eu tive o cara mais bonito que podia ter, com o corpo mais perfeito e que me deu a noite mais perfeita que eu podia esperar... Isso pra mim é suficiente. Mas não quero ficar nesse jogo, quero alguém que não precisa ser perfeito, que não precisa ser o melhor de cama, mas que possa me aprofundar legal... Alguém que durma abraçadinho e que, ao acordar, continue gostando de mim..."


Sim, eu sou chato, podem falar. Mas.... que foi bom... ah, isso foi...



No domingo, decidi ir na "T", pra variar. Não peguei ninguém, pra variar mais ainda, só fiquei encantado com um cara que sentou do meu lado após dar dois foras e com o qual não tive coragem de conversar, mesmo ele olhando disfarsadamente pra mim.


O destaque da noite foi o pós-balada. Na Sé, algumas pessoas perguntaram-me como chegar ao Anhangabaú e eu disse que era uma estação depois. Ai, quando entraram no trem, um rapaz e um senhor disseram que eles estavam indo pelo sentido contrário. Eu virei bravo e falei que não, que estavam certos, ai os dois reconheceram que erraram e eu fiquei feliz (super feliz, rsrs). O senhor rindo de sua (burrice) confusão sentou-se no banco à minha frente.


Na Barra funda, desci as escadas e na estação cruzei com o senhor novamente.


"Oh, nos encontramos de novo!!"


Eu nem me lembrava mais dele. Mas ai ele me relembrou quem era.


"Prazer, Hamil."


"Rud."


"Mora aonde, Rud?"


"Zona Oeste..."


"E vem de onde?"


"Da balada..."


"Qual?"


Dei uma rizadinha sem jeito, e então falei.


"'T'"...


"Ah, a 'T', faz tempo que não à frequento...."


Ai que me toquei. O cara era gay. Achei aquele papo um saco (se fosse um cara bonito eu adoraria), e estava decidido a dormir quando entrássemos no trem. Mas ai ele perguntou:


"Namora?"


E eu respondi:


"Terminei."


Comecei a contar toda a história, o por que de ele ter terminado comigo e tudo mais. E então, após falar um pouco que devia ter sido melhor assim, pois bissexuais são as pessoas mais confusas que existem, ele disse:


Fui casado com um homem por 14 anos... eu desisti de tudo na minha vida por ele. Hoje não tenho apoio da família, e ele também não. Dividimos tudo juntos. Mas ele terminou. Hoje, se arrepende. Me liga, diz que me ama, mas me feriu muito. Não tem volta."


"Nossa, foi tão duro assim que não possa ser perdoado?"


"Foi. Amor é complicado. Hoje tenho 45 anos... Vivo minha vida plenamente por mim. Esse é o segredo."


"Sabe que é isso que eu procuro? Amor. Esses dias tive a melhor noite da minha vida com um cara mais velho, foi ótimo... Mas não sentir o amor tem me incomodado."


"Não fala isso, é ruim demais. O amor só trás renúncia, só anula a você mesmo. O amor não trás nada de bom. Como diria Raul Seixas: 'Quando lhe jurei meu amor, eu traí a mim mesmo...'"


Depois de todo o discurso dele, eu disse, simplesmente:


"É? Mas você sentiu isso. Você amou, sofreu, sorriu e chorou. O ser humano sem isso não é nada... Me diz o que seria da sua vida sem esses 14 anos?!"


Ele, depois de uma bomba dessa, não pôde retrucar. Eu ganhei, e novamente fiquei feliz. O amor é uma necessidade absoluta, afinal...


Se minha vida fosse uma série, com temas por capítulo, esse tema seria a da idade, da velhice chegando, tempo de decisões. Conheci o Alehandro, 39 anos, que me fez ver estrelas e deixou claro que dividir a vida com alguém não é uma possibilidade, conheci o Hamil, 45 anos, que talvez tenha deixado de acreditar no amor... e começo a me questionar novamente: Que raios a vida faz com as pessoas que acaba matando esse amor? Ir na "T" a 5 anos e ver seu público vagarosamente envelhecer... Me faz pensar se as possibilidades de ter um lugar não estão diminuindo ao invés de aumentar. O medo só aumenta junto às rodas dos ponteiros do relógio, no passar dos dias, dos meses, dos anos....
sábado, 2 de outubro de 2010

Revide: Enfim o rompimento que não aconteceu



Bom, apesar de ter terminado com o Tiago, as coisas começaram a soar estranhas quando percebi que ele continuava a me ligar todos os dias e falar de todos os assuntos que tratávamos enquanto namorávamos. Uma situação bizarra, considerando que aguentamos ladaínhas quando temos a pessoa ao nosso lado para vivenciar os lados bons (beijos, sexo e ademais). Sem esses fatores, não tinha por que manter um relacionamento a distância.

Eu e o Ed, cheios de saudade da famosa "T", combinamos de ir lá no fim de semana. O Tiago então me telefonou e disse que iria lá também, o que me deixou bem incomodado. Eu queria cair na pista e beijar quem tivesse vontade, não encontrar o ex e ficar em um canto conversando. Então eu falei:

"Tiago... não me leva a mal, mas você poderia não ir na "T" nesse fim de semana?"

Claro que ele achou estranho:

"Por que?"

"Eu não estou pronto pra ver você ficando com ninguém, ainda que não tenhamos nada. A idéia de ver você com alguém por enquanto me incomoda. E não podemos mais nos privar de ficar com outros, já que estamos solteiros. Mas não queria que você fosse."

Por incrível que pareça ele pareceu entender e disse que iria tentar ir a outra balada. Eu realmente travaria se o visse lá na "T".

Chegando no domingo, fui cedinho à balada e quando pisei no local, visualisei um cara lindo com uma calça do exército, corrente no pescoço, camiseta preta, cabelo arrepiado, porte bem maduro (do jeito que eu gosto) e acabei sendo vítima da OBI da noite (aquela pessoa que não te deixa pensar em mais ninguém durante toda a noite). O Ed chegou e ficamos lá sentados conversando (fazia tempo que não saíamos), enquanto eu encarava o homem do exército.

Mais pro meio da noite, eu estava lá de boa do lado de fora da pista e avistei um rapaz que logo me reconheceu e veio me cumprimentar: Era o michel, melhor amigo do Tiago (só nos conhecíamos por Orkut). Ele então me deu a (chata) notícia de que o Tiago estava na balada. Não acreditei e quando entrei na pista, avistei o Tiago. Dei meia volta e desci as escadas. Minha noite acabou.

Lá embaixo, o reencontrei (parando teatricalmente diante dele enquanto a multidão dançava ao nosso redor) e fui conversar com ele. Foi nosso primeiro papo com climão. Horrível. Lá em cima, ele reapareceu e tentou me agarrar, mas eu o empurrei.

"Vem, eu sei que você tá empolgado."

"Toca aqui pra ver se eu tô empolgado!!"

Antes só de vê-lo, eu já ficava todo aceso. Ele tocou e não havia empolgação alguma, ficando sem graça. Um tempinho depois, encontrei os amigos do Tiago e ficamos de papo. Ele sentou no colo de um outro amigo (o primeiro rapaz que ele ficou na vida) e eu fiquei de boa, saindo logo depois, me despedindo deles.

Não encontrei mais o cara do exército nem tive ânimo de investir em ninguém ali. Foi um fim de noite bem desagradável. No dia seguinte, o Tiago me ligou.

"Nossa, foi mesmo muito constrangedor nós dois lá... Espero que um dia a gente se acostume. Eu sei que tinha um cara lá a fim de mim mas nem tive coragem de tentar nada."

Só fiquei escutando. Comecei a perceber que quase tud que ele fala é como se fosse um teste pra ver o quanto chega meu ciúmes. Se ele soubesse o quão desencanado estou.

Essa situação não estava mais me agradando. Tudo que eu precisava nesse momento era de espaço, não posso ficar todo dia falando com meu ex. Não consigo ser amigo de ex. Cada vez que ele me ligava, me irritava mais. Foi então que aconteceu.

"O que a Hayashi falou sobre nosso rompimento?"

Ele perguntou.

"Não lembro, mas uns amigos meus para os quais contei as cachorradas que você me falou só falaram mal de você."

"Eu imagino."

"Um deles até disse que você não foi homem suficiente..." (quem disse isso foi um dos meus leitores no msn, rsrs)

"Vem você e seu amigo e ensino aos dois o que é ser homem."

Não sei o que deu em mim, uma fúria incontrolável guiou minhas palavras naquele instante e eu pronunciei a seguinte sentença:

"HOMEM NÃO É SÓ ISSO, ENVOLVE MUITO MAIS. PRINCIPALMENTE CARÁTER. MAS ISSO É UMA COISA QUE VOCÊ AINDA NÃO TEM, É MUITO NOVO..."

Ele fez o que eu deveria ter feito quando ele me falou aquelas barbaridades. Desligou na minha cara. Claro que eu fiquei mal, mas não retornei a ligação. Contei essa história pro Primo, ainda chateado, e ele me aconselhou a não procurar mais, por que seria melhor manter a distância.

No dia seguinte, o Segurança me deu uma bronca, falando que o que eu fiz foi errado e que eu devia pedir desculpas. Decidi fazer o que meu coração mandava, e ele, que sempre se arrepende quando fala coisas duras, me mandou ligar.

Liguei, e não fui atendido.

De noite, liguei de novo e nada.

Então, mais a noite, meu telefone tocou. Era ele. Eu já tinha tudo em mente: Ia pedir desculpas mas ia dizer que precisava de mais espaço, que precisamos nos distanciar enquanto o rompimento é recente.

Atendi:

"Oi... Por que você desligou na minha cara ontem?"

"Ah, chegou gente aqui no serviço..."

"Hmmm, mentira. Você ficou chateado com o que eu disse."

"Não fiquei."

"Ficou sim que eu sei."

"Não, de boa."

(Nessa hora deveriam sair as desculpas da minha boca, mas quem disse que a boca obedece...)

Após silêncio constrangedor, ele perguntou:

"Só me ligou pra isso?"

(Aqui eu deveria ter dito: Claro que não, você sabe que prezo nossa amizade.... Porém acho que ambos precisamos de um tempo...)

"Só!"

Eu respondi.

"Então vou voltar ao trabalho. Tchau."

"... Tchau..."

E assim... aconteceu o rompimento que não tinha acontecido...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cobaia: O grande acidente de percurso...



Bom, minha net voltou e retomo meu blog com força total.

Infelizmente nessas últimas semanas as novidades não foram muito boas. Mas vamos por partes.



Tudo começou quando eu e o Tiago tivemos um hiato de uma semana. Devido a ele estar muito cansado e eu estar com meu lábio machucado por causa de um remédio que estava tomando, ficamos uma segunda feira sem nos ver. Ele entrou no msn nesse dia em que ficou em casa e não tivemos uma conversa muito boa. Primeiro ele foi grosseiro na conversa que tivemos, e quando voltou, pediu desculpas. Ai eu perguntei o porquê de seu mal humor e recebi a primeira resposta estranha.

"Acho que preciso reavaliar isso.... Isso tudo. Inclusive nós."

Ok. Eu concordei, e completei.

"É, é melhor mesmo, antes que alguém saia mal dessa história."

Durante a semana ele me ligou e explicou todos os dilemas que vinha vivendo. Resumidamente:

"Eu não sei se eu quero um cara comigo. Odeio ter que ficar me escondendo, não poder pegar na mão, não poder levar em casa, não poder beijar em qualquer lugar. Acho que prefiro mina. Não é nada contra você, é contra a situação."

Conversamos muito, mas decidimos terminar a conversa na segunda feira, quando nos encontraríamos. Mesmo assim já estava bem subentendido o que estava por vir. Iríamos terminar...

Chegou segunda feira. Nos encontramos como de costume, eu atrasei e ele estava uma fera. Caminhamos, compramos ingresso pra ver Resident Evil 4 e ficamos esperando a sessão. Então ouvi uma das coisas mais idiotas da boca dele:

"Rud, digamos que você foi uma cobaia. Eu testei ter um relacionamento com você... com um cara... e vi que não é isso que eu quero. O que eu quero mesmo é pegar caras descompromissadamente e namorar minas..."

Sim, eu ouvi isso. O ideal seria eu virar as costas e sair caminhando, esquecendo-o pra sempre... mas não fiz isso, afinal, faltou 1 semana pra completar 3 meses. Essa tranqueira foi meu primeiro namorado, ainda que não declarado... Enfim, fomos ver o filme e nos despedimos ficando uma última vez.

Na estação, nos abraçamos e cada um foi pro seu lado, selando aquele fim de relacionamento. Um fim tranquilo. Como combinamos, dali em diante seríamos amigos. A vida é assim.

No dia seguinte, ele me ligou e nossa conversa foi ótima, sem climão, igual a todas as outras que tínhamos. E pude perceber que antes, enquanto namorávamos, éramos tão amigos, que pouco mudou depois que acabou. Isso foi uma das coisas que nos fadou ao insucesso. Namoro NÃO é amizade, namoro é namoro...

O veredito desse circo é que estou solteiro, e estou bem. Durante um dia até fiquei um pouco chateado, mas passou, acho que não me apaixonei, era mais aquela situação de comodismo, ter alguém uma vez por semana pra poder ficar e um amigo a mais pelo resto da semana por celular, msn e orkut.

Ele disse que provavelmente não é o fim, é um adiamento, e que no futuro, quando estivermos mais bem resolvidos, tentaremos de novo. Ele está REDONDAMENTE enganado. Sua chance passou, o tempo não para, dê valor ao que tem, carpe diem e mais milhares de outras citações dos poetas. Pra mim foi o fim com "F" maiúsculo. Ele é bi, ele curte "mina", disse que nosso relacionamento foi um acidente de percurso em sua diversão em pegar caras como se fossem descartáveis... então boa sorte. Quem dera eu tivesse aberto meus olhos mais cedo...

Agora estou solteiro... disponível no triste mercado de disponíveis, caça aos homens e orkuts, sem contar baladas.... voltando à vida da qual senti pouca falta. De agora em diante, tenho uma nova meta: Caras um pouco mais velhos e BEM resolvidos!!