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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Presente amargo
Esses dias, enquanto devaneava sobre romance com o Fulano, levantei a teoria de Gikovate sobre o amor, que no momento era a que eu mais estava aceitando. Segundo o psicólogo, o amor é a necessidade que sentimos de reencontrar o conforto intrauterino que perdemos no momento do nascimento. Somos gerados dentro de um espaço confortável cercado de afeto e, nove meses depois, somos cuspidos sem explicação, tendo que encarar toda a frieza do mundo. Um mundo hostil, pré-programado pra nos ferir por natureza. Nasce dentro de nós o vazio de encarar essa frieza, e sobra nossa esperança de reencontrar em alguém aquele conforto. O conforto intrauterino pode ser nosso lugar ao sol, pois é um porto seguro que preenche nosso vazio. Naquele instante, eu estava convicto de que encontrara finalmente o preenchimento do meu vazio. Acabara de reencontrar o rapaz que anos antes tinha sonhado em reencontrar, como a realização de um sonho distante. A química era evidente e todos os sinais apontavam para um romance.
Afinal, quão raro no mundo gay é encontrar alguém capaz de preencher esse vazio? Alguém cujos passeios aconteciam naturalmente, caminhando por São Paulo, tirando fotos e conhecendo lugares novos. Kevin preenchia minha necessidade de ver o mundo. Com ele viajei para a baixada, a minha primeira viagem com um homem e sem a companhia de familiares. O menino virando homem. Eu sou um aventureiro por natureza, e uma das minhas maiores crises é não ter quem acompanhe meu ritmo. Gosto de explorar, de sair sem definir o objetivo de vez em quando, mas tenho grande problema com a solidão. Queria ser capaz de abraçá-la, mas ai vem aquele vazio.
Enfim, acho que a pessoa ideal para nós é a que preenche esse vazio. E às vezes buscamos tão desesperadamente por algo que nos salve dele, que confundimos manifestações de afeto simples com algo mais. Acho que foi isso que se sucedeu com Kevin. Eu engrandeci sua imagem baseando-se no grau de importância que achava que ele tinha por ele ter comigo uma história de tempos atrás. E olha que a pessoa era problemática, e eu, em minha necessidade de preencher o vazio apenas abracei todos os seus problemas e tentei me acostumar.
Claro que o resultado seria desastroso, como poderia se prever.
Acontece que a pessoa começou a me tratar mal quando eu disse que nos tornávamos amiguinhos de internet. Simplesmente desapareceu. E eu fui ficando cada vez mais nervoso com a situação. levantei na minha cabeça várias teorias: Está fazendo isso por que quer me afastar e poupar sofrimento de ambos? Eu cometi alguma falha? Seria ele mais problemático do que eu pensava? Teria achado outra pessoa?
Passei longe.
Vale ressaltar que o que Kevin me passava desde que começamos nossa relação, que depois chamou de apenas um lance, era a de que não podíamos ficar juntos apenas por conta de um mal timming, devido sua viagem. E eu acreditei, culpei o destino e me achei um azarado. Mas eu estava disposto até a esperar seu retorno. Eu estava disposto a qualquer coisa pra que desse certo.
Quanto equívoco.
Marquei com ele para nos encontrarmos no fim de semana, onde tentaria entender por que ele vinha agindo daquela maneira. Não aceitaria novamente que terminasse com pendências. Se era pra acabar, seria olhando nos olhos. Mas quando tentei marcar, foi grosso, respondendo apenas "ok" a tudo que eu dizia. Quanta hipocrisia, tratar assim alguém a quem levou pra cama e chegou até a dizer que amava (eu sempre acho um equívoco usar a palavra amor em momentos precoces, e evito usá-la. Sendo assim nunca retribuí os amores ditos. Não era o timming).
Dois dias depois de completo silêncio, ele me mandou uma mensagem dizendo que esperava que eu estivesse bem. Aproveitei a deixa pra puxar assunto, e não me respondeu mais. Tentei ligar pra ele, mas estava desligado. Naquele momento conversar era a única forma de esclarecer tudo. Eu já tinha desencanado até de encontrar, pois as grosserias tinham passado dos limites. mas foi só puxar assunto e o coração acelerou. Ele era o um. Eu tinha que espremer até o fim.
Até o fim, que se deu na manhã seguinte.
Logo que acordei, encontrei sua mensagem dizendo que era bom não conversarmos via mensagem, por que eu viajava em minhas teorias e devaneios. Não tenho sangue de barata, e respondi à altura. Que bela maturidade, travar uma batalha de textos por um app de bate papo, onde palavras leves saem ásperas e o que quer que seja dito sai na entonação da interpretação alheia. Não poupei nada, disse tudo que estava engasgado e que queria dizer no sábado, quando o encontrasse pessoalmente. Disse, por fim, numa confissão, que não estava a fim de nada pesado, e que tinha deixado isso claro, apesar de eu não ter maturidade pra entender. E eu revidei, claro, dizendo que eu realmente tinha muito a aprender sobre o mundo gay, onde palavras de amor não significavam nada.
Então veio a abordagem clássica usada por quase todos:
"Queria ser seu amigo...."
"Desculpa, mas pra ser meu amigo, é preciso ter certos pré-requisitos. Por isso tenho tão poucos."
Respondi, e desejei-lhe uma boa viagem e que encontrasse a leveza que tanto procurava. Foi de coração, acredito eu. Me deletou do facebook em seguida, respeitando meu desejo de não manter a amizade (que nunca existiu), ficando com consciência tranquila, já que eu quem não queria. Tudo na vida de Kevin era feito por obrigação, nunca por sua própria vontade. Ao menos eu devo ter lhe proporcionado o gostinho de fazer algo por si e por suas próprias decisões. No final, admitiu que não me queria mais, ao invés de culpar a viagem. Foi homem, afinal. Posso dizer com convicção que não me arrependo de nada, apesar de ter querido um final diferente, menos amargo. O sabor da decepção continha amargo. Ainda assim, valeu cada momento.
sábado, 18 de janeiro de 2014
Passado agridoce
Eu deveria ter vergonha de entrar aqui depois de passado mais de um ano sem postagem. Devia mesmo. Mas não tenho.
Tenho um caso de amor e ódio com esse blog, e acredito que um dia voltarei a me dedicar a ele como antes, ou ao
menos lhe darei um final decente.
No presente momento, acho que não sou capaz nem de um, nem de outro. Apenas entro
aqui com esse gosto amargo do que poderia estar escrevendo. Nesses anos que passaram, postando ou não postando,
tantas coisas aconteceram. Há tanto que eu queria dizer e postar, mas não consegui. E não adianta tentar retomar o
passado.
A ultima tentativa foi frustrante. Acho também que o presente é sempre mais emergente.
O final de 2013 teve um sabor especial. Teve um gostinho de esperança de que eu finalmente encontraria a felicidade
em um amor. Vivi histórias que, se fosse um leitor do meu blog, duvidaria que de fato aconteceram. Mas aconteceram,
de uma forma tão intensa, que olhando para trás, sinto uma mistura de felicidade e amargura. Preciso compartilhar
isso aqui pra não explodir.
Ano de 2013 foi um ano ruim. Não aqueles anos que dizemos que poderia ser melhor, mas foi ruim MESMO. Daqueles que
você não quer mais ouvir falar quando termina e sente que não progrediu um só passo pra frente. Só queria que
acabasse o mais breve possível. Aconteceu que, algumas semanas antes do temeroso fim (como já disse aqui, fins de
ano me deixam mais pra baixo do que o normal) eu estava em mais um fim de semana entediante, caçando naqueles sites
de putaria, quando enviei uma mensagem a mais um rapaz que faria-me as perguntas de sempre e terminaria em dois
cenários possíveis: sexo fácil ou enrolação da web. Porém, quando o rapaz respondeu, percebi que ele era familiar. Mas estava diferente. Quando me enviou seu facebook, concluí que as suspeitas estavam certas. O rapaz era esse
que vocês conheceram nesse post:
http://nossolugaraosol.blogspot.com.br/2010/03/obis-rumos-que-vida-toma.html?zx=4cd16ef61543593b
Sim, Kevin estava de volta. Pra não me complicar, fingi que não o conhecia e passamos boa parte daquela noite
trocando mensagens e conversando via Watsapp (é, agora tenho mais essa ferramenta malévola graças a um Android que
adquiri). Conversamos com uma afinidade assustadora e ele disse que sentia me conhecer de algum lugar. Eu, por outro
lado, jamais imaginei que o reencontraria. Marcamos de nos ver no dia seguinte, que seria domingo, na Paulista, onde
poderiamos ver os enfeites de natal.
Nos encontramos e a recepção foi ótima. Fomos até um barzinho do
frei Caneca, onde nos sentamos e começamos a tomar uma bebida. Ele se lembrou do encontro na "T" de anos atrás, tendo
99% de certeza que me conhecia. Eu tinha 100% de certeza. Depois de alguns minutos, finalmente nos beijamos e foi
como beijar aquele gatoto que conheci em 2007, sem tirar nem por. Era tudo um sonho, a primeira OBI que eu tinha em
meus braços. Me chamou para ir a sua casa e resisti um pouco. Não queria que fosse apenas um sexo rápido e
terminasse. Mas acabei indo.
E claro, transamos.
Foi uma ótima noite, e continuamos conversando no decorrer da semana. Porém, ele me revelou que faria uma viagem no
começo do ano, e ficaria alguns meses fora do país, sem previsão de retorno. Era um sonho que ele tinha desde dez anos
atrás, e não me opus. Apenas disse pra curtirmos o tempo que tinhamos sem pensar no futuro. E foi o que fizemos, ou
pelo menos o que me esforcei pra fazer. Fui almoçar em seu apartamento, dormimos juntos e passamos ótimos dias.
Mas
fui notando que ele era bem triste por dentro. Havia algo naquele rapaz que o perturbava muito, um peso maior do que
podia suportar.
Um dia antes do ano novo, viajamos pra casa da minha prima na praia e passamos um dia fantástico juntos. Foi algo
simples, ficamos andando na praia, com os pés na areia, mas foi algo tão intenso, eu olhava pro mar no horizonte e
pensava: Finalmente encontrei aquele que procurei a vida toda. Não importa essa viagem, eu o esperarei, e viveremos
essa história. Nem Hayashi nem nenhuma outra amizade poderia me impedir agora. Era eu e aquele rapaz contra o mundo
e quem mais quisesse nos impedir. Não o deixaria ir novamente, escapando pelos meus dedos como da outra vez. Fomos
até um morro bem alto na praia, de onde podia-se ver toda a paisagem e a muralha no horizonte no entardecer. Senti
que tudo era possível. Resolvemos voltar na mesma noite, passeando de carro pela praia de São Vicente, com direito a
parada em um quiosque gay e depois pelas praias de Santos. Dormi na casa dele e fui embora de manhã.
Não passamos o
fim de ano juntos por que ele teve que levar a mãe para a praia com a irmã dele. mas posso dizer que essa foi a
melhor época de virada da minha vida.
No fim de semana seguinte, passeamos pelo Ibirapuera e fui á casa dele. de noite, me levou de volta até minha cidade com seu carro.
E foi ai que as coisas começaram a desandar.
Essa foi a ultima vez que eu o vi. Percebi seu afastamento pelas mensagens, que pareciam mais de amigos do que de amantes. Era como se ele quisesse que eu percebesse que era hora de deixar ir, era hora de eu aceitar que ele viajaria. Chegou a me dizer que era bom que eu me preparasse para sermos somente amigos, pois a viagem estava mais próxima, e que tínhamos apenas um lance e nada mais. O sonho desmoronava, e por mais que eu corresse atrás, sentia-o partir. Brigamos quando eu disse que estávamos nos tornando amigos ao invés de algo mais, e ele se afastou ainda mais.
Engoli todo meu orgulho e liguei pra conversarmos, mas só vieram respostas secas ao que eu dizia. Seria uma forma de me afastar por estar de partida, ou teria sido mais uma ilusão de minha parte? um passado desenterrado que trouxe consigo esperanças demais e me encheu de falsas expectativas? Afinal, se todos os que ficam comigo acabam partindo com o tempo, por que com ele seria diferente?
O passado é definitivamente superestimado e é um vespeiro quando colocamos a mão. Trás de volta o que foi adormecido, o que foi esquecido, e o que deveria ficar lá, silencioso. Mas não me arrependo. valeu cada momento, e cada sentelha de esperança de que podia dar certo. Talvez não tenha sido dessa vez, ou talvez tenha sido um timming ruim pela segunda vez. Agora só o tempo dirá.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
O fim de uma saga
E aconteceu que, como todos sabem, eu e o Tyler, vulgo "Marido", estávamos trabalhando no mesmo local, por coincidência ou ironia do destino. Nesse ínterim, fiz amizade com uma bela moça, Sunshine, que sentou-se ao meu lado (ela era da equipe do segundo andar, mas veio fazer um trampo no local, e nos tornamos amigos com facilidade). Ela também tornou-se amiga do Tyler, e em uma festinha de confraternização de aniversariantes do mês, eu o encontrei. Ele apertou minha mão, olhando nos meus olhos, e depois saiu. Fiquei observando-o de longe, de amizade junto a outros que eu desconfiava serem gays do setor de cima. Como eu podia ser tão deslocado naquele lugar? Todos pareciam ter um lugar. Até a Sunshine tinha sua equipe.
Um dia fui lanchar com a Sunshine e o Tyler surgiu. Conversamos um pouco. Falaram sobre o show da Katy Perry e eu fiquei na minha. Como a Sunshine podia ser tão cega de não ver que ele era gay? E como ele podia ser tão hipócrita e ficar tão na defensiva? Um ar de tensão ficou pairando entre nós três. A Sunshine me contou que o Tyler tinha lhe dito que se ela não namorasse, ele a pediria. Eu devia ter dito: “É, ele diz isso pra todos...”
Algumas vezes o yler foi no meu
local de trabalho e eu (tonto) ficava esperando ao menos um cumprimento. Nem
isso acontecia.
Então, os meses se passaram, e
fiquei sabendo que o contrato do Tyler iria vencer, tal como o da Sunshine,
ambos temporários. Fiquei triste principalmente por ela. Minha única
companheira. Ela conseguiu destacar-se nos últimos dias e continuar efetiva na
empresa, mas Tyler não teve a mesma sorte.
Alguns dias antes do fim para o
Tyler, eu voltava do banheiro e ele surgiu no corredor.
“Ei, estou indo almoçar, quer
vir?”
Perguntou, e eu me lembrei de
todas as chances que ele teve de me fazer aquele convite e do quanto insisti
para que acontecesse.
“Não, vou mais tarde.”
Ali, me libertei...
No dia do Tyler partir, ele foi
ao meu setor. Despediu-se de sua amiga no local, e nem olhei para ele. Ele
partiu sem nem olhar para mim. Assim, terminou aquele sonho de uma pessoa
inocente. Eu sempre acreditei em suas palavras enquanto era online e irreal.
Mas então, quando tornou-se real, vi a verdade de uma pessoa muito mal
resolvida emocionalmente. E me vi nele. Mas ao contrário dele, ao menos não
minto mais pra mim.
O último resquício de um romântico
esperançoso morreu com aquele adeus silencioso. Chegou a hora de nascer um Rud
prático, desprovido de sentimentalismo. Assim é o mundo gay. Frio, carnal e
mentiroso, e preciso sobreviver nele...
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domingo, 13 de março de 2011
Amor eterno e incondicional...
"Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo."
O Pequeno Principe
Hoje vou falar sobre o amor. O amor em sua forma mais incondicional existente. O amor mais puro de todo o universo. Hoje vou falar de um ser que mudou o rumo da minha vida nos últimos onze anos, mais especificamente nos quatro ou cinco últimos. Seu nome era Xuxa, uma cachorra que viveu junto conosco por todo esse tempo, nos trazendo alegrias, preocupações e transformando nossas vidas de forma inimaginável.
Xuxa, que nunca soubemos de qual raça era (talvez uma mistura de Yorkshire com vira-lata), dessas que não crescem muito, foi sempre pequenininha, porém altiva e forte. Chamávamos de cachorra metida, pois passava com o rabão empinado e parecia ser chefe dos cachorros do quintal, sendo a mais velha da trupe. Cachorros vieram e cachorros foram, mas ela perdurou. Como moramos em um quintal familiar, inicielmente ela pertencia às nossas primas. Mas um fato mudou tudo alguns anos atrás.
Xuxa engravidou. Como todos sabem, cachorras quando engravidam vão ter os filhotes em locais escondidos. Ela se escondeu perto de minha casa, dentro de uns entulhos, e minha mãe, vendo aquilo, ajudou acomodando-a e a seus filhotes quando esses nasceram.
Mais ou menos um mês depois, deu uma enchente aqui no quintal, e, desesperada, a Xuxa subiu em um local mais alto, uivando pra que alguém salvasse seus filhotes. Minha mãe foi quem os salvou e colocou junto dela. Após desmamarem, as filhotes foram dadas, mas daquele salvamento nasceu o maior amor que eu já vi. Xuxa abandonou seus donos antigos, ficando na nossa porta, às vezes entrando em casa. Criamos um cantinho pra ela com uma almofada e ela passou a viver aqui. Sempre que eu ia no banheiro, passava por ela e ela me acompanhava até a porta, esperando que eu saísse. Quando saía, à enchia de carinho e ela, toda manhosa, ficava choramingando. Pode-se ter certeza que nenhum bicho recebeu mais carinho nesse mundo do que ela.
Quando minha mãe saía pra algum lugar, a Xuxa ficava agitada, apreensiva e estressada, correndo pelos cantos farejando. O sossego só vinha quando minha mãe chegava. Ai era só festa. Ela sempre pulava e agarrava com suas patas nossas cochas, abaixando sua cabeça enquanto fazíamos carinho, choramingando como um filhote carente.
Decidimos não arriscar outra gravidêz e mandamos castrar a Xuxa. No dia em que a mulher veio buscá-la para castrar e a colocou na jaulinha, ela ficou nos olhando com aqueles olhões e nos bateu a primeira preocupação. Não aguentava ver aqueles olhos gigantes me encarando sem poder fazer nada. Mas ela voltou bem, e a médica disse que durante a castração, encontrou um princípio de câncer nela, mas conseguiu retirar antes que fosse um perigo. Se não à tivéssemos castrado, provavelmente teria durado mais alguns meses. Sua vida foi prolongada por anos.
Passei a me preocupar muito com a Xuxa quando soube que por duas vezes o carro tinha parado em cima dela, e ao invés de se esquivar, ela se encolhia no meio da rua. Sempre que um carro derrapava na rua ou brecava, eu corria pra ver se ela estava bem. Estabeleci uma relação quase de pai com ela, cuidando e dando todo o amor possível.
No fim do ano passado a orelha dela inchou e tivémos que levar ao veterinário pra fazer uma punsão (enfiar uma agulha pra tirar o sangue). Foi um dos momentos mais horríveis da minha vida ter que segurá-la pra realizar o procedimento sem anestesia devido á idade dela. Ela ficou com um cone na cabeça, desesperada pra poder coçar a orelha e no primeiro dia, desapareceu sem deixar pistas. Desesperado, fui atrás dela, correndo pelo bairro sem saber pra onde ir. Sentei no degrau de um bar fechado e pedi que ela estivesse bem, desesperado. Meu maior medo era que ela sumisse. Quando voltei pra casa, descobri que ela se refugiou debaixo da cama da sua antiga dona. Nunca fiquei tão aliviado.
No natal de 2010, sem nada pra fazer, eu passei com ela, que latia conta as bombas enquanto eu à abraçava, desejando um novo ano ótimo a ela. Compartilhamos muitos momentos juntos, repletos de felicidade. Ela ia de manhã fazer caminhada com minha mãe, se divertindo no parque aqui do lado de casa. Estava presente em todas as reuniões de família, era super lambida com as visitas, sempre esperando carinho.
Então, há dois meses mais ou menos, percebemos um inchaço em uma de suas mamas. Não achamos ser nada grave mas o inchaço aumentou e levamos no veterinário. A doutora diagnosticou como câncer (havia voltado) e disse que viajaria na próxima semana e poderia fazer a operação na semana seguinte. Esperamos, cometendo o maior erro de nossas vidas. Xuxa foi levada pra operação na semana seguinte e ficamos apreensivos no dia. Recebi a ligação e a doutora pediu pra eu ir com minha mãe até lá. Logo que chegamos, mesmo sem dizer uma palavra, ela começou a latir desesperada, presa numa jaula, provavelmente só sentiu nosso cheiro. A doutora disse que o câncer era irreversível e que a única opção era esperar. Quando o momento chegasse, teríamos que levá-la ao sacrifício. Com o pelo raspado bem curtinho (ela sempre foi peluda), Xuxa voltou pra casa, comendo na sua vasilhinha de comida. Vendo aquela cena, me dei conta da situação e comecei a chorar. Nos próximos dias, demos todo o amor possível a ela, já que era a única coisa que podíamos fazer. Ela foi forte o tempo todo. Colocamos uma almofada bem macia no quarto que era da minha irmã e ela passou a dormir lá, mas antes de dormir, ficava sempre na sala enquanto estávamos aqui, do lado da perna da minha mãe, fazendo parte de todos os momentos possíveis. Quando não queria comer, dávamos a ração na boca dela, que fazia um esforço. Um dia cheguei do serviço e me sentei do lado dela, colocando sua cabeça no meu colo. Cada vez que eu parava de fazer carinho, ela levantava a pata querendo mais. Dei comida na boca dela e fiquei lá o maior tempão. Sua respiração ficou bem difícil nos últimos dias, pois o câncer espalhara-se por todos os seus órgãos. Ontem, antes de dormir, passei no quarto dela e, como há muito tempo não fazia, ela abanou o rabo pra mim, que passei a mão nela antes de ir, sem nem imaginar ser uma despedida.
Hoje minha mãe me acordou dizendo que ela tinha falecido e fui me despedir. Prefiro pensar que ela morreu dormindo. Fomos enterrá-la perto da estrada e foi impossível conter as lágrimas e se lembrar dos bons momentos. Xuxa não morreu, apenas partiu, e está viva em nossos corações. Tenho certeza que há um local reservado pra todas essas almas que mudam nossas vidas com seu amor incondicional e sua alegria. Vou sempre me lembrar desse amor, por que tirando o familiar e de amizades mais próximas, foi o único que senti em plenitude e sinceridade. Só queria ter certeza de que um dia vou reencontrá-la e que um dia vou poder novamente lhe fazer carinho em algum lugar. Nessas horas a gente perde a fé, perde tudo. De que valem as conquistas se a gente perde quem ama? Espero que ela saiba que foi amada por nós, e que esteja olhando por nós lá de cima.
Boa viagem, Xuxa, e obrigado por nos proporcionar os melhores anos de nossas vidas.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Perfil: O homem da minha vida
Após um longo tempo minha net voltou... não sei até quando, mas estou por aqui, senhores.
Após perder a comemoração do post 100, no qual falei sobre a morte e que causou muita polêmica (heheh), voltamos à normalidade do blog (ou não).
Há alguns dias atrás me peguei na rua admirando rapazes enquanto caminhava e percebi que sou exacotômico quando o assunto são homens. Nesse post tentarei traçar um perfil o mais perto possível daquilo que eu procuro para ser meu companheiro, tanto em personalidade quanto em aparência. A tarefa não é fácil, mas quem disse que a vida é?!
Na questão da personalidade, um homem tenque ser, acima de tudo, um homem. Nenhum traço feminino, nenhuma frescura agravante do tipo crônica (não rejeito os afeminados, apenas não quero nada amoroso com eles, nada impede amizades). Esse homem também precisa ter atitude pra compensar minha falta da mesma, considerando que eu adoto muito da personalidade de quem está comigo (se você é covarde, eu o serei com você). Se duas pessoas não tem atitude para embarcar em algo, nenhuma delas se move. E a inércia é o pior dos males dos relacionamentos (depois da traição). O medo gera a inércia, e o medo vem de pessoas que são mal resolvidas consigo mesmas. as quais não têm certezas concretas, estão em cima do muro quanto à coisa mais importante de suas vidas depois de si mesmo, que é que tipo de parceiro quer para si. Então, indecisos e bis de plantão, comigo vocês não tem vez. Quero um homem que bata no peito com orgulho e se assuma gay, mesmo que somente para si próprio. Sua personalidade precisa ir além da normalidade. Todos os meus verdadeirs amigos têm personalidades tão fortes que muitas vezes geram conflitos, e praticamente me afastei de todas as pessoas que não tinham nada a oferecer. O homem que estiver comigo precisa ser único, não uma cópia impressa de um estilo de vida (vide minha Obi da antiga empresa, um impresso dos manos motoqueiros de sua vila). Nisso, meu último relacionamento me laçou. Ele não era nenhum padrão de beleza mas nossas personalidades, nossos diálogos, nossas ironias e até nossas DRs (saudades) nos tornava únicos e em harmonia. Tanto que até hoje conversamos sem parar (por telefone) e nunca nos falta um assunto. Um homem precisa me fazer falar, por que quando me sinto bem com alguém, eu falo sem parar! Fora isso tudo, o homem precisa saber ser safado no momento apropriado. Não curto homens que usam a safadeza para dizer que são homens. Há momentos apropriados e adequados para uma boa safadeza. E sou à favor do ato safado mais do que do verbal.
Com relação à aparência... bom, a primeira coisa que olho nos homens é o.......... braço. Sim, exatamente. O braço é um fator primordial. O homem deve ter braço de homem, e na minha opinião (isso vai soar muito estranho) o braço carrega toda descrição do modo de vida daquele determinado indivíduo. Quanto mais massa tem o braço do homem, mais esforço físico ele teve em sua infância, adolescência e etc. O braço de um homem demonstra seu estilo de vida, se ele praticou esportes, se ele já brigou na rua, e por ai vai. O meu braço demonstra como sou: sedentário, fracote, anti-esportes (melhor eu parar por aqui). Não curto homem bombado de academia. O braço desses homens traduz o que são: Pessoas que passam horas dedicando-se à saude do corpo mas que acabam passando dos limites. Braços adquiridos com a natureza do cotidiano do homem são tudo para mim. Em seguida... as mãos. Mão de homem é a coisa mais linda que existe. Não é aquela coisa delicada, há um peso na mão masculina que não se encontra em nenhuma mão feminina. Braço + Mão = Pegada boa. As pernas pouco me importam, barriguinha não me incomoda, e cabelo, por mais que eu adore um liso com gel, não é um fator determinante. Tenha um braço e uma mão relativamente masculinas e metade de mim já foi conquistado. O rosto do homem ideal não tem um padrão certo, basta não ser todo milimetricamente perfeito, basta ter sua personalidade, seja exótica, seja misteriosa, mas seja única. Acho que um homem com essas características físicas me conquista.
E depois de conhecer o tal homem, vem a hora do beijo, a hora mais importante. O beijo, a pegada, a forma como as linguas dialogam sem emitir um único som é o que diz se o que está acontecendo ali irá progredir ou parar por ali. Semana passada fiquei com um rapaz na "T" que me fez refletir sobre tudo isso. Seu rosto me chamou a atenção, principalmente por seu sorriso lindo. Começamos a nos beijar e eu peguei em seu braço. Era mais fino que o meu. Estava de blusa, e não o tinha visto antes. Por mais que o rosto fosse bonitinho e a barriguinha quase tanquinho, aquele braço dizia que a coisa não seria tão boa. O beijo, a pegada... foram legais, porém, muito lentos, muito amenos, sem intensidade ou empolgação, uma atmosfera de comodismo, de estar beijando só por estar. E então, ele soltou as pérolas de safadeza, falando sobre cama, sexo e outras coisas... um homem falar isso para alguém que nem sabe o que faz da vida, que nem sabe o sobrenome... acho muita precipitação. Mas é só o que se encontra na pista da balada. Pra diversão ele foi ótimo, mas esteve longe de ser alguém marcante.
Acho que é isso. Não lembro se tem mais algum detalhe. Agora é só esperar que esse rapaz leia isso e se comunique comigo (até parece...)
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Experiência 3.9 e 4.5
Eu e Alehandro marcamos de nos encontrar na sexta feira, mas chegou no dia e ele disse que teria que ir na irmã dele e só poderia me pegar às dez, o que acarretaria no fato de eu ter que dormir na casa dele, para meu desespero. Não que eu não seja maduro suficiente pra dormir na casa de um homem, mas há diversos níveis de intimidade pra eu ficar a vontade com esse evento.
Pensei bem e quase desisti, mas resolvi aceitar dormir lá. Nos encontramos na estação e ele quase me arrastou para o Autorama, um estacionamento onde os gays ficam paquerando e se pegando a noite toda, mas eu (chato que só eu) falei que não queria ir. Então caminhamos pra casa dele mas antes passamos em uma pizzaria, onde ele comprou uma pizza (nããão...) e levou junto para comermos.
Na casa dele, conheci o gato que estava doente (típico, homem de 39, mora sozinho, tinha que ter um gato). O gato ficou me encarando, não pareceu gostar de mim. Me perguntei quantos outros garotos aquele gato não ficou encarando até hoje...
Após enchermos o bucho de pizza, ele colocou o gato na cozinha e começamos a nos beijar. Apagou a luz e acendeu uma outra, daquelas de balada que fazem o branco brilhar, e sua roupa era toda branca. Com aquele corpo monumental (o mais perfeito que eu já vi ao vivo) ele me envolveu e................
O que eu tenho a dizer é que essa foi minha mais plena experiencia em vida... Antes dessa noite eu era menino, e então virei homem, rsrs. Foi inesquecível, incrível, estonteante.
Depois de tudo, tomamos banho, ele me mostrou seu album de fotografias, falou sobre seu emprego no laboratório de física, onde transformam materiais dentro de uma caixa, e fiquei fascinado com ele, com seu poder de persuasão e com seu jeito com rapazes mais novos (convenhamos que um três ponto nove interessar um dois ponto quatro não é fácil). Dormimos na mesma cama, sem contato, e consegui dormir legal. De manhã, acordei primeiro e fiquei olhando-o dormir. E minha cabeça então começou a viajar.
Eu não me apaixonaria por um homem desse, mesmo com todos esses atributos. Desde o princípio eu determinei que ele seria apenas um rapaz com o qual eu faria sexo, e minha mente não permitiu nenhum tipo de aprofundamento, nenhuma centelha de pensamento de ter algo além daquela noite inesquecível. Eu não deixaria que nenhum sentimento me tomasse por que jamais confiaria em um homem com a vida que ele leva, com o perfil de onde o encontrei (o que não passa de um preconceito meu [?!?]). O fato é que nem olhando-o dormir e achando-o lindo com aquele rosto sem nenhum sinal da idade, eu consegui imaginar um "e se" entre nós.
Pela manhã, não nos beijamos, pareciamos dois conhecidos que dividiram a cama e que acordaram de manhã e partiram, mas a conversa que tivemos foi legal e natural. Eu disse que curti muito a noite e ele me deixou na estação. Não marcamos mais nada, nem sei se marcaremos. Após dormir no trem, vim caminhando pra casa e pensando.
"Eu tive o cara mais bonito que podia ter, com o corpo mais perfeito e que me deu a noite mais perfeita que eu podia esperar... Isso pra mim é suficiente. Mas não quero ficar nesse jogo, quero alguém que não precisa ser perfeito, que não precisa ser o melhor de cama, mas que possa me aprofundar legal... Alguém que durma abraçadinho e que, ao acordar, continue gostando de mim..."
Sim, eu sou chato, podem falar. Mas.... que foi bom... ah, isso foi...
No domingo, decidi ir na "T", pra variar. Não peguei ninguém, pra variar mais ainda, só fiquei encantado com um cara que sentou do meu lado após dar dois foras e com o qual não tive coragem de conversar, mesmo ele olhando disfarsadamente pra mim.
O destaque da noite foi o pós-balada. Na Sé, algumas pessoas perguntaram-me como chegar ao Anhangabaú e eu disse que era uma estação depois. Ai, quando entraram no trem, um rapaz e um senhor disseram que eles estavam indo pelo sentido contrário. Eu virei bravo e falei que não, que estavam certos, ai os dois reconheceram que erraram e eu fiquei feliz (super feliz, rsrs). O senhor rindo de sua (burrice) confusão sentou-se no banco à minha frente.
Na Barra funda, desci as escadas e na estação cruzei com o senhor novamente.
"Oh, nos encontramos de novo!!"
Eu nem me lembrava mais dele. Mas ai ele me relembrou quem era.
"Prazer, Hamil."
"Rud."
"Mora aonde, Rud?"
"Zona Oeste..."
"E vem de onde?"
"Da balada..."
"Qual?"
Dei uma rizadinha sem jeito, e então falei.
"'T'"...
"Ah, a 'T', faz tempo que não à frequento...."
Ai que me toquei. O cara era gay. Achei aquele papo um saco (se fosse um cara bonito eu adoraria), e estava decidido a dormir quando entrássemos no trem. Mas ai ele perguntou:
"Namora?"
E eu respondi:
"Terminei."
Comecei a contar toda a história, o por que de ele ter terminado comigo e tudo mais. E então, após falar um pouco que devia ter sido melhor assim, pois bissexuais são as pessoas mais confusas que existem, ele disse:
Fui casado com um homem por 14 anos... eu desisti de tudo na minha vida por ele. Hoje não tenho apoio da família, e ele também não. Dividimos tudo juntos. Mas ele terminou. Hoje, se arrepende. Me liga, diz que me ama, mas me feriu muito. Não tem volta."
"Nossa, foi tão duro assim que não possa ser perdoado?"
"Foi. Amor é complicado. Hoje tenho 45 anos... Vivo minha vida plenamente por mim. Esse é o segredo."
"Sabe que é isso que eu procuro? Amor. Esses dias tive a melhor noite da minha vida com um cara mais velho, foi ótimo... Mas não sentir o amor tem me incomodado."
"Não fala isso, é ruim demais. O amor só trás renúncia, só anula a você mesmo. O amor não trás nada de bom. Como diria Raul Seixas: 'Quando lhe jurei meu amor, eu traí a mim mesmo...'"
Depois de todo o discurso dele, eu disse, simplesmente:
"É? Mas você sentiu isso. Você amou, sofreu, sorriu e chorou. O ser humano sem isso não é nada... Me diz o que seria da sua vida sem esses 14 anos?!"
Ele, depois de uma bomba dessa, não pôde retrucar. Eu ganhei, e novamente fiquei feliz. O amor é uma necessidade absoluta, afinal...
Se minha vida fosse uma série, com temas por capítulo, esse tema seria a da idade, da velhice chegando, tempo de decisões. Conheci o Alehandro, 39 anos, que me fez ver estrelas e deixou claro que dividir a vida com alguém não é uma possibilidade, conheci o Hamil, 45 anos, que talvez tenha deixado de acreditar no amor... e começo a me questionar novamente: Que raios a vida faz com as pessoas que acaba matando esse amor? Ir na "T" a 5 anos e ver seu público vagarosamente envelhecer... Me faz pensar se as possibilidades de ter um lugar não estão diminuindo ao invés de aumentar. O medo só aumenta junto às rodas dos ponteiros do relógio, no passar dos dias, dos meses, dos anos....
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