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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Degradação social e o desejo de partir
Caminho em uma frequencia diferente do fluxo de minha própria vida, e não me entendo. De verdade. Realizei finalmente meu objetivo e por um tempo, foi bom. Mas depois de um tempo, percebi que por mais que eu lutasse pra me encaixar, eu não consigo. Sou uma carta fora do baralho deles. Esse post infelizmente é um desabafo, antes que eu cometa uma besteira.
Há tempos, anos a fio, não pensava em me matar. Essa noite, voltando pra casa, eu pensei novamente. Saltar do alto do Banespa no Anahngabaú foi um pensamento que me deu um friozinho na barriga, mas cheguei à conclusão que seria uma morte muito feia. Queria uma morte bonita. Desejei que Deus, em sua sabedoria, me mandasse seu anjo da morte hoje. Que fosse rápido e indolor, um tiro no peito esmigalhando esse coração seco, sem amor, sem importância. Eu finalmente responderia o maior mistéiro da vida, pronto pra voltar a viver, ou pra reencontrar quem se foi, ou mesmo pra simplesmente deixar de existir... até quem sabe encarar o que ninguém jamais imaginou, posto que a morte pode ter sido imaginada como é, ou pode ser como algo que jamais ninguém pensou.
Enfim, foi um pensamento de fraco, mas sou fraco. Tão fraco que não tenho coragem de tirar minha própria vida, acreditem, se tivesse esse post não estaria no ar. Não estou querendo pena de ninguém, nem que se preocupem comigo. Ainda que seja fraco, sou forte o suficiente pra continuar levantando, ainda que seja penoso.
O pesar se deve ao mal que assola toda a humanidade moderna para os que abrem seus olhos. Estamos todos sós. Mas o pior não é apenas se sentir só, e sim ter provas conclusivas dessa constatação. Começou há quase um mês no meu novo emprego. As pessoas que conheci, oito de uma equipe de tratadores de imagem, aos poucos demonstraram não ter nenhum interesse em minha integração com eles. Sempre que precisei de ajuda, recorri à minha supervisora, sentada ao meu lado, a que me colocou lá, que conhecia meu irmão dos tempos de um emprego em que trabalharam e que pareceu a única disposta a um diálogo interessante. O restante da equipe, nada. Nenhuma conversa direcionada a mim, todas as piadas que faziam era de um repertório interno que só eles entendiam, vindo de vídeos vistos e fatos vividas, apelidos com suas próprias histórias e situações que eu não compreendia. Até ai tudo bem, pensei. Eles devem demorar pra aceitar um novo membro no grupo, é normal um estranho invadindo seu espaço.
Mas então, em uma sexta feira, ouvi de um deles que o rapaz novo, que entraria segunda feira, era um amigo de um dos membros da equipe. Eles começaram a rir do nome engraçado do rapaz e um deles falou algo que é melhor ter ouvido do que ser surdo:
"Esse ai já vai entrar enturmado na equipe."
Dito e feito. Segunda feira, a supervisora me mudou de lugar pra ponta da fila, sentando-me ao lado de Dinho, o rapaz que, em momentos em que a supervisora não estava, me auxiliava (com muita má vontade). E eu, involuntariamente, escutei TODO o treinamento que ele deu ao novato, muito do que se eu tivesse recebido quando entrei, não teria tido tantos problemas. Em um momento, o rapaz saiu da sala e seu amigo que o indicou perguntou:
"E então, o que achou do rapaz?"
"Parece bem legal!!"
Não parecia. Era como eu, meio timido, meio acanhado, não tinha dito nada de legal até então. A única coisa que o fazia legal era o fato de todos o terem elegido o novato legal. E eu, o cara chato, mudo, deslocado.
Hoje, terça, segundo dia do rapaz, já estavam aos risos, compartilhando histórias sobre os apelidos que nunca entendi, prometendo mostrar todos os repertórios de vídeos que eles vêem e riem, para que o novato se integre a eles, contando o sentido de suas piadas internas, puxando diversos assuntos aleatórios que sempre que tentei puxar com o Dinho e ele apenas respondia sem prolongar assunto. Comparei cada frase, cada atitude, cada riso. Em dois dias, o novato conseguiu aquilo que de início tentei, mas depois desisti: entrar para a equipe.
E o que não é essa solidão no emprego senão uma grande metáfora de minha existência? Minha meia dúzia de amigos ou mora há quilómetros de São Palo e quando vêm pra cá não têm interesse em sair ou já se arranjaram e estão amando, sem tempo pro que restou da amizade. Não tenho amigos senão por telefone, minha vida é vazia de pessoas a quem possa abraçar e acreditar que gostam de mim. Não sei amar e não sei se alguém algum dia já me amou ou ao menos gostou de mim incondicionalmente, com minhas falhas e erros, torto como sou. Não sei me integrar. Ando solitário por essa vida. Nunca me importei até hoje, vendo aqueles risos daquelas pessoas parecendo ignorar minha existência:
"Estou treinando você por que se seu amigo o fizesse, ele só te zoaria. Vamos deixar a zoeira entre nós pra daqui mais ou menos uma semana, quando tiver mais intimidade, quando você for um brother nosso."
Pérolas que eu ouço o dia todo direcionadas ao novato, como se me ignorassem ao lado, ouvindo tudo. Não quis me matar por essa idiotisse de não estar integrado às pessoas que trabalho, mesmo por que converso nos intervalos com vários do andar de cima. A questão é que pareço não estar integrado à própria vida que levo. No fundo de mim, nesse escuro sem fim, não encontro paz. Estou só, sou só, e nada nem ninguém pode mudar isso. Chego à constatação de que NÃO CONSIGO ESTAR SATISFEITO NUNCA.
Se eu morresse, demoraria quanto tempo pra cada amigo meu, à distância, descobrir? Dias, talvez meses, talvez nem soubessem. Enfim, vou cavando minha própria cova social, afundando no desespero silencioso de mais uma vez ter sido quase feliz. Sempre quase amei, quase me satisfiz, quase sosseguei. Por sorte ou azar, pra morte não há quase... Nesse ritmo, terei quase vivido, e isso não quero jamais. Novamente busco minha salvação em algum objetivo desconhecido, por que só o que me move é a expectativa. Como não as tenho, me falta forças pra caminhar. Buscarei objetivos pra não definhar nos pensamentos fúnebres.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
Forasteiro silencioso e o significado da felicidade
"O novo é necessário.
Mas ninguém gosta do novo.
O novo incomoda.
Tudo era bom antes da chegada do novo.
A mudança é a quebra da estabilidade.
Viva a tradição. Descartem o novo..."
Tenho vivido dias solitários nas últimas semanas. Como sempre, a vida mostra que mesmo me dando algo, ela tira outra coisa pra manter o equilíbrio natural que povoa minha vida. Sou eternamente insatisfeito, logo, infeliz por natureza. A infelicidade parece um vírus que não me abandona.
Como vocês acompanharam nos últimos Posts, eu finalmente conquistei meu lugar ao sol no quesito de emprego, o que me deixou muito satisfeito. Porém, por mais que eu esteja (e estou, acreditem) adorando a nova experiência, eu fui o único a entrar no meu setor, o que criou um clima estranho no ambiente. Me sinto um invasor. No local, que eu achei poder ser um local de oportunidades em achar alguém no mínimo interessante, o que encontrei foram pessoas bem resolvidas, jovens, alguns com filhos, cheias de pequenos preconceitos de prache da sociedade, piadinhas contra homossexuais rolando natural e constantemente, como se ser "viado" fosse como ser uma aberração e como se chamar o outro de "viado" aumentasse a própria masculinidade, vários papos entre eles que eu não entendo por que não estou inserido na linguagem deles... Enfim, há uma microsociedade formada e eu sou o forasteiro silencioso. Só falo quando tenho dúvidas, e eles são bem atenciosos, mas não se esforçam pra me integrar na equipe.
Resumindo... o preço da satisfação parece estar sendo pago. Me sinto só...
Aproveitando a abordagem, decidi definir a felicidade, na minha opinião. Felicidade pra mim não existe. Ao menos, não como é conhecida. Aquela felicidade do eterna e prometida, nunca poderia ser vivenciada, mesmo porque é impossível o mundo sem uma balança entre contrários. Eu considero a felicidade como nível de satisfação. Estar feliz é estar satisfeito. Estar infeliz te obriga a a se mover, a procurar a satisfação. O objetivo de todos, seja trabalhando, seja estudando, amando, seja fazendo o que quer que faça, é a busca da satisfação própria e das pessoas a sua volta. Pra mim, quando estamos satisfeitos com um aspecto de nossas vidas, os outros se afloram pra nos dar mais motivação em busca da satisfação completa. E ela não existe e não pode existir. No momento em que estivermos satisfeitos em todos os aspectos, de duas uma: Ou estaremos nos iludindo, ou nossa vida perdeu o sentido. Olhem nos orkuts e Msns da vida, estão cheios de pessoas "felizes", "satisfeitas" e "contentes". Questionem esses perfis. Eles trazem as pessoas mais rasas do mundo. Ninguém é ou está feliz o tempo todo, isso é mera ilusão, e graças a Deus que é, pois pensem como seria um mundo de plena satisfação! Que chato...
Então, um brinde à insatisfação e a infelicidade que nos move em prol de nossos objetivos. Abaixo o culto da felicidade que nos quer obrigar a ser rasos e contentes. Ser feliz holywoodianamente parece ser uma obrigação de nossa sociedade, e não à culpo. Analisando sociedades anteriores, a mulher não tinha direito à satisfação, era submissa, e o homem vivia pra trabalhar e trabalhava pra viver e sustentar a família. Plenamente heterocentrista, sem variações. O mundo mudou, direitos foram alcançados e a felicidade pareceu um direito conquistado, um dever social. Se estou feliz, atraio pessoas. Se sou depressivo, às afasto. Pois pra mim as pessoas mais interessantes desse mundo são aquelas que tomaram consciência de que não podem ser plenamente felizes, mas que lutam por um mundo diferente, por uma vida melhor, por uma causa inexplicável, que não se contentam com o tédio de viver satisfeito com pouco. Os heróis, os revolucionários, os escritores, os gênios não pensam na satisfação própria, mas do mundo em que vivem, da satisfação geral, pois essa causa a sua, ainda que a alcancem através da própria angústia exposta.
Aproveite os poucos momentos de satisfação que tiver, pois eles lhe serão raros e únicos. Aproveite cada momento de angústia que viver, pois este será responsável por seu crescimento cada vez maior e lhe conscientizará de que precisa encontrar a sí próprio e a própria satisfação. Vamos rumo à felicidade, ao lugar ao sol, à satisfação ou ao que quer que a nomeiem, pois viver por ela, ainda que utopia, é a única coisa que nos vale a pena.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Que lugar é lugar nenhum?
Ouvi vozes
Vozes no horizonte de minha mente
Dizendo: desista
Ponha de lado seus sonhos
Mate-os.
Anule-os.
Ouvi vozes.
No mais oculto da mente
Dizendo: de que vale acreditar?
De que vale se iludir?
Seus sonhos lhe tornaram mole
Seus sonhos lhe tornaram nada mais que um sonhador
Não posso mais sonhar
diante do peso da realidade
Tudo me arrasta à mais fria constatação
Não sou nada além de sonhos
sonhos parecem ilusões
Desculpas para não aceitar
que a vida a você reservada
é a vida que lutou para se livrar
Não há escapatória
disse a voz que não quer calar
Volte para onde nunca devia ter saído
Sim, ela tenta me arrastar para baixo
ela tenta acabar com o que acredito
tenta me fazer ver o que a ilusão me impede
O que vale mais? Sonhos não realizados
ou verdades que nos fazem cair?
Será que foi tudo um grande equívoco?
Será que as estradas me levaram ao mesmo lugar?
Eles estavam certos me vendo como fracassado?
Quem eu sou? Por enquanto ninguém...
O buraco é fundo demais para encontrar a luz
Abandonei tudo...
Estou pronto para o ponto de partida.
A voz continua a sussurrar que não sou ninguém...
E lá no fundo da sombra...
bem lá no fundo
sinto a quentura do sonho adiado
engavetado
desesperado
estranho pensar
nessa terrível dicotomia
em que o sonho sou eu...
e a voz também sou eu...
ambos me disputando pra me levar a lugar nenhum...
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Início de ano: Parte VI: Entre o que somos e o que viremos a ser
Continuando a minissérie "Fim de ano," só atualizando para Início de ano, é de madrugada e decidi fazer uma breve reflexão para abrir 2011. Um assunto que tratei ano passado no blog e que não sai da minha cabeça. O ponto de virada.
Todo filme, todo livro, série, toda história que pretende contar acontecimentos na vida de alguém, absolutamente tudo começa a ser contado de um ponto de virada. Ninguém quer ver a vida comum e pacata das pessoas. O importante na vida, o começo da vida é quando você deixa de ser o que você nasceu (indefeso, incapaz, inútil) e passa a ser alguém para a vida, a sociedade e você mesmo. O próprio universo foi um ponto de virada. Antes dele, o que existia é inimaginável, e o big bang ou Deus ou ambos o criaram para que ele fosse algo. O ponto de virada nos transforma de ordinários a extraordinários.
Normalmente esse ponto para os héteros "vida loka" é quando eles deixam aquela vida desregrada, cheia de salões, baladas, pegação, e criam uma responsabilidade, engravidam uma mulher, constrõem uma carreira e abandonam os velhos amigos, as motos e até seu linguajar chulo (estou sendo otimista, pois os vida loka geralmente vão pra cadeia, morrem em acidentes de moto,etc). Aos nerds, o ponto de virada é quando finalmente são reconhecidos em sua vida profissional pelos anos de dedicação a linguagens de programação e passam de vítimas humilhadas para verdadeiros e jovens líderes poderosos (o mundo é dos nerds). Cada nicho social, se assim podemos subdividí-la, tem seres humanos que sofrem seus pontos de virada e mudam quem são, como uma necessidade em suas vidas. O ponto de virada dos homossexuais acredito que seja no momento em que descobrem o amor e assumem um compromisso, deixando o "meio gay". Tomando esse blog como exemplo, eu só passei a escrevê-lo quando minha vida teve uma grande virada (eu era virgem e deixei de ser), porém isso não foi suficiente para me transformar em sujeito-homem.
O ponto de virada nos transforma e não tem volta. Nesse fim de semana conheci um rapaz na balada que, com 25 anos, já tinha morado dois anos com um homem, vivido uma vida com este, amanmdo-o e construindo algo junto. Foi uma história intensa, como ele mesmo contou, e não duvido. O ponto de virada deles foi quando a mãe de seu namorado o expulsou de casa e ele teve que se virar com o rapaz pagando aluguel para se sustentarem. O ponto de virada é um sacode na vida, é o imprevisível nos socando a cara e dizendo: "Saia da área de conforto, acorde para a vida." Coitado de quem não obedecer. Eu, que escrevo histórias, me ligo muito nesses ritos de passagem, nessas transformações que acontecem em nossas vidas.
Ano passado eu tive uma meta e consegui cumprí-la. Esse ano, nesse comecinho, sou como uma tábula rasa, estou zerado, cheio de projetos mas com uma vida em branco pronta para começar a ser escrita. Apesar de não depender de nós viver um ponto de virada, eu necessito encontrá-lo em minha vida. Eu, formado, sem emprego, cheio de planos que dependem de capital, preciso sair da área de conforto, preciso morar sozinho e preciso achar alguém que divida comigo sonhos. Que venha o ponto de virada que me transformará de quem eu sou para o que virei a ser.
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domingo, 5 de dezembro de 2010
Sensações de fim de domingo...
Aceitei que a vida se resolve por si propria, por enquanto aceito a solidão, aceito que não me aceito, aceito que o mundo não me aceita e quem sabe um dia a vida não me resolve.............
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
O Crepúsculo do Homem
Então o menino acordou
e ao olhar-se no espelho
viu todos os anos que lhe deixaram
concluindo perder a aposta
da corrida com o tempo
Então o menino acordou
não mais com a juventude de outrora
mas com a consciência que a idade lhe trouxe
O menino acordou
desejando a alegria da mocidade
e a esperança do futuro brilhante
Mas o menino já era homem
desgastado com suas responsabilidades
em busca de seu lugar no mundo
Ainda que viva em um mundo
que não foi feito para ele
O menino que dormiu demais
acordou para a perda da incência
tornando-se aquilo que mais temia
Acordou o menino sonhador
que já não podia dormir
fadado ao destino dos homens
solitários no vale sem amor
Então o menino sonhou
que, depois de um homem se tornar
poderia ser como era
apesar de matar o menino
E acordando ainda menino
o homem se viu a chorar
no espelho da cruel reflexão
nesse mundo sem ter seu lugar
Vivendo na vida não vivida
do tempo não aproveitado
da época não marcada
na dança jamais dançada
o menino finalmente dormiu...
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Brainstorm: A persistência da aleatoriedade
Brainstorm é um termo utilizado pelo designer no processo de criação. Ele, sozinho ou com companheiros de profissão, pega um papel e coloca todas as idéias que vierem à mente, sejam essas ordenadas ou não. É uma tempestade de idéias que, trabalhadas, formarão uma idéia bem trabalhada no futuro. Baseado nesse termo e nessa premissa, inauguro essa sessão chamada Brainstorm no Nosso Lugar ao Sol.
Geralmente eu jogo algumas idéias coerentes em meus Posts, de forma que tudo faz meio que sentido no final. Nessa sessão, não espere sentido. Vou apenas jogar idéias, tentar falar um pouco sobre elas mas nada muito compromissado ou específico, apenas colocá-las aqui e ver no que dá, viajando mesmo.
Estava voltando pra casa outro dia e vi um rapaz com olhos azuis e braços bem definidos, um corpo em forma e um cabelo liso. Tentei me colocar no lugar de um cara desses. Não deve nunca ter tido problema em pegar meninas e meninos, simplesmente o bam bam bam, e o pior é que sabe disso. Imagino como é viver a vida sem ter dificuldade de chegar em alguém e ter quem quiser. Tento imaginar, mas não consigo, é irreal demais.
Tinha também um rapaz com a pulseira do arco iris, daquelas que os gays assumidos utilizam. O celular dele tocou e ele disse ao seu "amor" que estava chegando em sua cidade. O jeito de falar já o denunciava, a pulseira era pura confirmação. O mais engraçado foi ver um emo com calça colada e sua amiguinha tirando uma dele. Mesmo que sofram preconceito, as pessoas continuam propagando-o, é tão engraçado isso. E falando em homofobia (sempre ela), eu li que a cada 4 brasileiros, um tem aversão aos homossexuais. É o pior índice de preconceito do país.
Leia na íntegra:
http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=5449&sid=7
Igualmente engraçado é que com esse índice de preconceito não há nenhuma lei que puna tais agressores. É como se os próprios homens que constituem as leis fossem preconceituosos. Mas quem sou eu pra falar de política, pra mim não passa de um ciclo vicioso do rouba mas faz, rouba e não faz, rouba e sai de férias, entre outros roubos. Às vezes queria ter uma consciência política maior... Só às vezes.
Ainda no trem, vi um rapaz com um grupo de amigos cantando uma bela mulher que dormia em um dos bancos e que foi acordada pelo idiota que, em uma necessidade de provar sua virilidade e de se inserir num grupo de marginais tolos que adoram mexer com as mulheres pra se aparecer, age como um neandertal. Por causa desses grupinhos, por causa desses "homens" virís é que leis contra a homofobia são distantes da realidade. É contra eles que ela vem lutar. É de um candidato que pense nessas questões que temos que votar. Mas pelo jeito não há...
Dentre esses vândalos, está meu primo. Aliás, primos vândalos são a especialidade de meus tios. Quanto mais primos surgem, mais cedo vândalos se tornam. Novamente a necessidade de inserção em grupos, falando que nem mano, com um fogo no rabo e uma indiscritível falta de senso de realidade e compromisso com o futuro (tô parecendo político falando). É daqueles que você olha na cara e prevê o futuro: Viver em um subemprego, ter mais de quatro filhos e morar na casa dos pais. É previsível que pessoas sem perspectiva caminhem para um destino assim.
A poluição só aumenta...
Não sei se o que mais vale a pena é sacrificar o hoje por um amanhã estável que valha a pena ser vivido ou se mais vale uma vida emocionante, intensa e na flor da pele. Nunca tive uma vida intensa, sempre me preocupei com o futuro, com o que eu viria a ser. Afinal, você colhe o que planta...
Atlas Shrugged, escreveu:
“Não deixe sua chama se apagar com a indiferença.
Nos pântanos desesperançosos do ainda, do agora não.
Não permita que o herói na sua alma padeça frustrado e solitário com a vida que ele merecia, mas nunca foi capaz de alcançar.
Podemos alcançar o mundo que desejamos. Ele existe.
É real.
É possível.
É seu.”
Marcante. Inesquecível. Perfeito.
Sempre sonhei em ser um herói de uma grande história. Aos poucos meu sonho morreu, dando lugar a realidade, onde escrevo histórias de heróis pra entreter. O mais engraçado é que tento deixar meus heróis o mais humanos possíveis. Talvez uma tentativa de aproximá-los de minha humanidade e imperfeição. A ficção tenta imitar a vida. Eu só queria poder imitar a ficção às vezes.
Será que as ciganas podem ler as mãos?
Será que esse negócio de sorte existe? E os números, será que significam algo? Sempre que olho no relógio aleatóriamente, vejo as seguintes horas:
11:11
22:22
2:22
Será que estou perdendo algo? Nasci no dia 22, é a única coisa que bate. Quem sabe um sinal, sei lá. Outro dia estava desenhando e senti uma sensação estranha, como se já tivesse feito o mesmo desenho MUITO tempo antes e sentido aquela sensação, um Déjavù literalmente falando. Arrepiante.
Pra fechar essa micelânea, um curta da Disney sobre Salvador Dali, meu pintor surrealista predileto:
Ah, sim, e ODEIO a Disney por ter criado a lei de direitos autorais pra mais de 90 anos!!
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Pendências: Parte VII: Para dentro da mente: Par perfeito ou perfeito se torna?
"Você seria meu amigo caso não dê certo?"
"Seria."
"Duvido."
"Seria sim."
Foi essa a pergunta que eu fiz para o Tiago quase ao final do dia de nosso encontro, e foi essa a resposta que ele me deu. Tenho avaliado muitos aspectos da relação em quem entrei. Posso dizer que estou gostando dela, apesar de não sentir muito aprofundamento. Como sempre, a inquietude ressurge das cinzas como uma fênix. Fazendo uma retrospectiva rápida, posso dizer que a frase que o Thinker me falou está certa: "Eu vivo fugindo de compromisso."
Adriano: Minha OBI, usei a chegada de minha amiga que não via a anos pra justificar minha covardia e não encontrar-me com ele.
Tom: Usei sua filosofia de vida para criar argumentos que conflitassem com minha filosofia de vida, acarretando incompatibilidade.
Loirinho boyzinho Leonard: Relacionamento fadado ao fracasso. Nunca esperei que ele gostasse de mim e nunca me permiti gostar dele.
Fuga: Após não aceitar entrar no hotel, fiquei com raiva e quis discutir a relação, o que eu sabia ser sua fraqueza e o que o afugentaria. Certeiro.
Carlos: Minha primeira vez: Disse que não passaria daquilo, ainda que ele tivesse interesse. Ele respeitou.
Alvaro: Rapaz da empresa, minha OBI suprema. Por quase um ano, tive esperanças com um hetero homofóbico. Medo de ser gay ou de me relacionar? Ambos.
O mais engraçado são os finais inacabados. Parece que falho em todos. Parece que interrompi todos, como se cortasse a raiz que pudesse crescer. Como se podasse a erva daninha e continuasse na zona de conforto, abraçando e me confortando na escura solidão (poético e patético).
Nunca amei ninguém, e acho que este é meu grande dilema. A gente se acostuma a ver em filmes, em romances e em séries sobre o amor, e fica esperando aquilo acontecer. Aquela certeza dos protagonistas de que estão apaixonados e de que vale morrer pelo amor, aquela dedicação dos antagonistas de, igualmente por amor, querer matar, fazer sofrer, lutar incansávelmente. Ai chega no mundo real, tudo que não queima não é amor, tudo que não se dedica com a vida não é paixão. Então vivemos em busca da felicidade, tão mitológica quanto a pessoa perfeita. Nessa busca, nos deparamos com certas pessoas que, de tão verdadeiras, nos iludem com seu papo, com sua simpatia, nos parecem aquela pessoa certa. Mas é como um reality show, só que rolando na internet. Quando acordamos, é tarde demais. Sempre foi e sempre será. O coração está partido novamente. Foi o caso do Tyler, o rapaz perfeito que por um tempo ameassou minha relação com o Tiago. No fundo, Tyler e sua perfeição veio contracenar com a realidade imperfeita de Tiago. Cada vez que o Tiago errava, eu pensava no Tyler, no que estava perdendo, no mito inalcansável, no Unicórnio símbolo da perfeição e da essência pura. Pura.... ilusão.
Minha mente é soda... Me peguei outro dia pensando:
"Por que estou com o Tiago? Seria mais fácil terminar... Seria mais fácil deixar que tudo volte à zona de conforto. Eu não o amo. Eu apenas gosto dele. Gosto de sua companhia. Posso arranjar isso a qualquer instante. Abandone-o..."
Ainda, para ajudar, recebi uma ligação do Fulano, que começou a questionar minha relação. A dizer que eu não o amo e sei disso... Dizer que era uma relação estranha, que não via futuro... Não vou nem comentar, mas blz. Isso foi um combustível pra minha cabeça, ficou maquinando uma forma de escapar. Instinto de conveniência, preciso manter as mentiras sociais. É mais fácil terminar.
A verdade é que tenho tendência à infelicidade quando o assunto é vida amorosa. Procuro alguém quando estou só... e quando estou com alguém sinto falta da solidão, da individualidade e da liberdade. Dizem que eu sou muito exigente, mas não posso exigir muito, nem sou um padrão de beleza... estou do mediando para baixo, e ainda que quem me conheça a fundo possa gostar (ou odiar, desperto muito esse sentimento também), eu nem posso exigir muito exatamente por esse meu complexo de inferioridade. Acho homens bonitos distantes da possibilidade de ter relação e acho que por isso mesmo não me ligo a padrões de beleza. Chamo a maioria deles de intocáveis, e de fato em poucos eu consegui algo. Justifico a feiura ou imperfeição como "é o que eu posso ter, já que não posso exigir muito". Igualmente o Tiago não é um cara bonito, mas beleza não é a prioridade. Há outros quesitos a considerar. Entre problemas e qualidades que ele, assim como qualquer homem da face da terra tem, ele tem algo a mais que está me tirando o sono, e que grita em minha mente que eu não deveria estar progredindo, mas sim terminando. E me sinto mal em pensar assim. Não posso dizer que problema é esse, mas é algo estético. E isso me atormenta, e me impede de fugir. É como se minha mente conhecesse o remorso das histórias inacabadas, recordasse a busca interminável dos tempos de solteiro e insistisse pra que eu continue. Minha mente dividida em dois caminhos: Aquele em que eu quero aceitar todos os problemas, enfrentar todos os medos e tentar mudar os rumos da minha história, namorando de FATO... e aquele em que aceito que, como designer, procuro a perfeição e condeno todo e qualquer defeito e que, como meu amigo leitor do blog e designer disse: "Procuramos a harmonia e o equilíbrio das formas e querendo ou não, será inevitável que eu crie um motivo para terminar tudo". Toda a minha razão, todos os pontos indicam para um só rumo: Eu devo terminar.
Não existe pessoa perfeita, a pessoa perfeita se torna? E o medo de ficar sozinho? de ficar velho e sozinho? De quando perguntar aos céus "por que", ele me responder: "Eu lhe enviei as oportunidades, você que não as aproveitou". Odeio baladas, não quero ter que ir nelas pro resto da minha vida. Outro dia um velho baixinho e gordo tocou no meu braço na pista de dança e eu me inclinei para perguntar se ele queria dizer algo. Ele tentou me beijar e eu empurrei ele. Parecia meu pai, credo. Fiquei triste com aquilo, com seu desespero em "pegar" um jovem, de sentir alguém, mas não tenho nada contra pessoas velhas, desde que se cuidem e não cheguem na velhice parecendo ter o dobro da idade e ainda querendo agir como adolescente (por que pra mim, sair agarrando na pista é coisa de adolescente). Não quero envelhecer só. Eu quero alguém. A idéia de estar só é perturbadora. Mas e quanto a essas chances boas? Pessoas boas que venho descartando por meu perfeccionismo e medo de me aprofundar? Só sei que nada sei again.
Costumo dizer que não tive adolescencia. Toda a liberdade e ousadia dela foi perdida por meus complexos. Vivi na ilusão de gostar de garotas sem ter coragem de chegar nelas, pensando obviamente que era feio demais para elas. Hoje, com 24 anos, me vejo como um adolescente. Pego quantos quiser sem medo (as vezes um pouco), vivendo a vida sem pensar muito (tá, eu vivo pensando) e justificando minha covardia com o "deixa rolar", "não quero me aprofundar" ou "só estou curtindo". Olho no espelho e não vejo um homem de 24, mas um garoto de 16, com as mesmas ansiedades, medos e irresponsabilidade de tal idade. Não vejo seriedade em mim. Mas ultimamente meu espelho me tem incomodado, minha alma refletida clama por atitude. Minha cabeça me perturba com o senso de responsabilidade, questionando-me se não é hora de deixar o garoto partir e começar a virar homem... Se não, é capaz de com quarenta eu querer ter vinte, e ai sim me tornarei tudo que mais odeio. A cada idade cabem suas alegrias, resta a mim encontrar as minhas no tempo certo.
Conclusão? Nenhuma, só dúvidas. mas uma certeza eu tenho: EU QUERO AMAR, E EU QUERO AGORA, EU ESTOU PRONTO!! Que venham as tempestades, que venham os furacões. Se do outro lado houver a pessoa certa, sei que sou capaz de enfrentar o mundo por ela, de me assumir e enfrentar tudo o que me cabe enfrentar, como um homem. Acho que é o amor que falta na minha vida, tal como as loucuras e a ousadia do amor. Enquanto a vida for racional demais, for certa demais, sempre existirão muros e grades...
Resta saber se a pessoa que tenho ao meu lado pode ser aquela pela qual eu desafiaria o mundo...
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domingo, 20 de junho de 2010
Ode an die Freude
Há diversos tipos de amigos.
Há aqueles que passam e se vão
que são os melhores enquanto duram
que não nos imaginamos sem eles
e por um tempo, é bom.
Há aqueles que quando se perdem na vida
a vida não resgata
talvez a morte o faça
ainda que tarde demais.
Há amigos que não o consideram
e aqueles colegas que te consideram amigo
Você diz, ora, não sabe o que é amigo
pois considerar a mim, pleno desconhecido, amigo
é mesmo forçar a barra.
Amigos é coisa complicada
alguns você insiste que se tornem
mas acabam desaparecendo
e se voltam, e você mudou por que a vida quis
passam por um pesado teste
se te aceitarem, se você aceitar que te aceitem
ai a amizade é verdadeira.
Fujo das amizades por condições
seja meu amigo daqui um mês
somos amigos enquanto eu estiver na cidade
Para mim, amizade por condições é colegagem, nada mais
Se não confia em mim para estar no bem e no mal
então não confia em mim, ponto final
Há os amigos que só querem te desviar d foco
aqueles que dão o fora e dizem: Amigos?
são os piores, por que essa amizade é uma ilusão
que a realidade vai aos poucos matar
Amizade tem sete cabeças
Há as que você não esquece
porém não quer resgatar, por que durou enquanto durou
chamo-nas de à prazo
A validade acaba para alguns amigos
Aqueles que não sabem nada de você e ainda pensam que são amigos
estes não têm ninguém, então aceitam um qualquer
Há os amigos fechados
que só compartilham alegrias
quem é tão raso que só tenha alegrias?
Sem aprofundamento, não há amizade.
Há amizades sábias
essas você sustenta enquanto te alimentam com conhecimento
mas quando o conhecimento acaba, acaba o laço
E há aquelas de compartilhar desgraças
Você não tem nada em comum além do emprego que trabalham
mas se um for demitido
fim, fim, fim
Há amizades que você nunca viu
mas que passa tempo com elas virtualmente
são boas, desde que provem ser concretas um dia
amizades por internet, tão longe e tão perto
Há tantos tipos de amizades
e tão poucas que valem a pena
As melhores são as que resistem as tempestades
aos encontros e desencontros
ao ódio inicial
e à vida a compartilhar
Amizades verdadeiras, estão aqui ou a mil quilómetros
não importa, não há desculpa
que afaste alguém quando se quer estar junto
amizades que, se não existissem, não seríamos os mesmos
pessoas que nos conduzem à sanidade
ainda que enlouquessamos
Viva à loucura, viva a vida
E o que seria de nós sem poucos e bons amigos
pra nos tirar do abismo nos mais negros momentos?
O que seria da vida sem uns grandes ou pequenos deles?
Pura monotonia e solidão.
Amigos é coisa de louco
Uns dizem ter mais de 100 nas redes sociais
e alguns podem até alegar ter dez
mas aposto que desses todos
não passam de dois
aqueles que realmente se pode contar
quando seu mundo desmoronar...
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sábado, 22 de maio de 2010
Ser ou Não ser... uma questão de opinião
Eu só queria ser simples. Queria uma vida simples. Sem precisar me preocupar com coisas que para os outros é normal. O problema de ser gay, é que a vida é a única que pode te ensinar. Sua mãe não está ali pra pegar na sua mão e dizer o que você deve fazer. Nem seu pai pra aconselhar que homem você deve evitar, quais são perigosos pra você, quais você pode confiar. Você não pode pedir um abraço à sua mãe por estar magoado com a decepção que um homem lhe causou, nem dizer que quer chorar por ter tido seu coração partido. Temos que mentir pra quem mais amamos, talvez pela insegurança de deixar de ser amado. Quem deveria nos dar suporte muitas vezes fica contra nós, muitas vezes não nos reconhece. Eu queria muito chegar a algum lugar, mas estou correndo em circulos. Depois dos últimos acontecimentos... um único desejo grita dentro de mim.
Eu não quero ser gay.
Não é escolha, não é algo que se coloca e se tira. Mas ser gay é um fardo à mais, e é um fardo pesado, principalmente pra quem não consegue se adaptar ao mundo em que estes vivem. Eu não consegui me adaptar. Tive tantas desilusões diante de tantas esperanças vãs e diante de tantas promessas. E aos poucos quase me tornei o que mais odeio.
Nunca pensei em contar aos meus pais. Nunca cogitei essa possibilidade. Procuro conquistar minha independência pra depois ter a coragem necessária. Tenho medo de ser rejeitado pelas únicas pessoas que incondicionalmente nos amarão. Mas não confio nesse amor, por que já fiz muita coisa errada, já decepcionei em diversos quesitos.
Estranhamente não estou triste, nem descabelando-me. Estou pensativo. O mais interessante da virada cultural foi a expontaneidade dos acontecimentos, foi viver um cotidiano com possibilidades. Naquele momento, rodeado de pessoas como eu, não precisei fazer média nem medir palavras. Fui eu mesmo vivendo, falando, dando em cima, pegando na mão, desejando, sem medo.
Dou tudo para viver assim pelo resto da minha vida. "Ser gay ou ser normal". Essa frase costuma revoltar as pessoas, mas o "normal" não é o padrão de normalidade social, e sim o normal das ações: poder SER sem medo, poder DESEJAR sem medo, ser LIVRE para andar de mãos dadas... e não unicamente num evento em que vai toda a cidade. Não se trata do meu lugar ao sol, somente, mas do lugar ao sol de todos os gays que estão calados. Gosto de não ser normal, de não seguir padrões. Só o que me cansa é não poder confiar em ninguém. Perdi a confiança em qualquer ser com duas pernas do sexo masculino, e resgatar novamente essa confiança será duro. Mas como diz a música: "Não se preocupe, você se encontrará, siga seu coração e ninguém mais. Você pode fazê-lo, oh, baby, se você tentar... "
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sábado, 17 de abril de 2010
Sentidos
"...SALVAÇÃO
PARA OS DESESPERADOS
ESPERANÇA
PARA OS INJUSTIÇADOS
JUSTIÇA
PARA EVITAR A GUERRA
GUERRA
PARA OBTER PAZ
PARA OBTER PAZ
PAZ
PARA SE FAZER NECESSÁRIA A GUERRA
AMOR
PARA CONTRADIZER O ÓDIO
PARA SE FAZER NECESSÁRIA A GUERRA
AMOR
PARA CONTRADIZER O ÓDIO
ÓDIO
PARA NOS LEMBRARMOS QUE SOMOS HUMANOS
PARA NOS LEMBRARMOS QUE SOMOS HUMANOS
HOMENS
MATANDO SEUS IRMÃOS
MATANDO SEUS IRMÃOS
MORTE
PARA A VIDA VALER A PENA
PARA A VIDA VALER A PENA
IMORTALIDADE
PARA SONHARMOS E ESPERARMOS
PARA SONHARMOS E ESPERARMOS
SONHOS
PARA NÃO ENLOUQUECERMOS
PARA NÃO ENLOUQUECERMOS
LOUCURA
PARA DAR VALOR A PAZ DE ESPÍRITO
PARA DAR VALOR A PAZ DE ESPÍRITO
ESPIRÍTO
PARA SE CULPAR POR PECAR
PARA SE CULPAR POR PECAR
PECADO
PARA NÃO IR ALÉM DO PERMITIDO
PARA NÃO IR ALÉM DO PERMITIDO
LEI
PARA JULGAR OS CULPADOS E INOCENTES
PRISÃO
PARA PUNIR CULPADOS E INOCENTES
PARA PUNIR CULPADOS E INOCENTES
TEMPO
PARA SEPARAR O FEITO DO QUE SE FARÁ
PARA SEPARAR O FEITO DO QUE SE FARÁ
AÇÃO
PARA DESENCADEAR REAÇÃO
PARA DESENCADEAR REAÇÃO
REAÇÃO
PARA EQUILIBRAR O UNIVERSO
PARA EQUILIBRAR O UNIVERSO
UNIVERSO
PARA NOS LEMBRAR QUE SOMOS PEQUENOS
PARA NOS LEMBRAR QUE SOMOS PEQUENOS
SER
PARA PENSAR E EXISTIR
PARA PENSAR E EXISTIR
EXISTÊNCIA
PARA PREENCHER A LACUNA DE NÃO EXISTIR
PARA PREENCHER A LACUNA DE NÃO EXISTIR
NADA
PARA SABERMOS QUE TUDO É ALGO
PARA SABERMOS QUE TUDO É ALGO
VAZIO
PARA PROCURARMOS SEMPRE PREENCHER
PARA PROCURARMOS SEMPRE PREENCHER
FELICIDADE
PARA DAR UMA RAZÃO À VIDA
PARA DAR UMA RAZÃO À VIDA
JORNADA
PARA QUE NUNCA PAREMOS
PARA QUE NUNCA PAREMOS
GRAVIDADE
PARA NOS RENDERMOS À FORÇA
PARA NOS RENDERMOS À FORÇA
GOVERNO
PARA NOS RENDERMOS, À FORÇA
PARA NOS RENDERMOS, À FORÇA
CAPITALISMO
PARA CONSUMIR E SE CONSUMIR
PARA CONSUMIR E SE CONSUMIR
COMUNISMO
PARA ACHAR QUE A SOLUÇÃO EXISTE
PARA ACHAR QUE A SOLUÇÃO EXISTE
SOCIALISMO
PARA DIZER QUE A IGUALDADE EXISTE
PARA DIZER QUE A IGUALDADE EXISTE
STATUS
PARA DIZER QUE A DIFERENÇA EXISTE
PARA DIZER QUE A DIFERENÇA EXISTE
RAÇA
PARA DIZER QUE NÃO SOMOS IGUAIS
PARA DIZER QUE NÃO SOMOS IGUAIS
CREDO
PARA DIZER QUE DEUS NÃO É IGUAL
PARA DIZER QUE DEUS NÃO É IGUAL
DEUS
PARA SENTIR E DAR SENTIDO
PARA SENTIR E DAR SENTIDO
FÉ
PARA MOVER NOSSAS MONTANHAS
PARA MOVER NOSSAS MONTANHAS
OBSTÁCULO
PARA TRANSPASSAR E SE SUPERAR
PARA TRANSPASSAR E SE SUPERAR
SUPERAÇÃO
PARA IR ALÉM DE SI MESMO
PARA IR ALÉM DE SI MESMO
EU
PARA ME SEPARAR DO OUTRO
PARA ME SEPARAR DO OUTRO
OUTRO
PARA EU TER COM QUEM COMPARTILHAR
PARA EU TER COM QUEM COMPARTILHAR
FRAQUEZA
PARA EU SABER QUE NÃO SOU O MELHOR
PARA EU SABER QUE NÃO SOU O MELHOR
ERRO
PARA EU SABER QUE POSSO MELHORAR
PARA EU SABER QUE POSSO MELHORAR
ILUSÃO
PARA EU SENTIR QUE POSSO VOAR
PARA EU SENTIR QUE POSSO VOAR
FILOSOFIA
PARA ESTIMULAR PERGUNTAS
PARA ESTIMULAR PERGUNTAS
CIÊNCIA
PARA ENCONTRAR RESPOSTAS
PARA ENCONTRAR RESPOSTAS
MITO
PARA IR ALÉM DAS RESPOSTAS
PARA IR ALÉM DAS RESPOSTAS
HISTÓRIA
PARA APRENDER COM O PASSADO
PARA APRENDER COM O PASSADO
UNIVERSO
PARA IDEALIZAR O FUTURO
PARA IDEALIZAR O FUTURO
AMIZADE
PARA SABER QUE NÃO SE ESTÁ SOZINHO
PARA SABER QUE NÃO SE ESTÁ SOZINHO
INIMIZADE
PARA SABER QUE NÃO SE ESTÁ SEGURO
PARA SABER QUE NÃO SE ESTÁ SEGURO
SOLIDÃO
PARA DAR VALOR A UM ABRAÇO
PARA DAR VALOR A UM ABRAÇO
SILÊNCIO
PARA SER MAIS BELA A SINFONIA
PARA SER MAIS BELA A SINFONIA
APARÊNCIAS
PARA QUERERMOS MUDAR
PARA QUERERMOS MUDAR
COMODISMO
PARA JUSTIFICAR PERMANECER
PARA JUSTIFICAR PERMANECER
CEMITÉRIO
PARA ENTERRAR OS MORTOS
PARA ENTERRAR OS MORTOS
ESCRITÓRIOS
PARA ENTERRAR OS VIVOS
PARA ENTERRAR OS VIVOS
ENTRETERIMENTO
PARA ESCAPAR DA REALIDADE
PARA ESCAPAR DA REALIDADE
REALIDADE
PARA AMAR O ENTRETERIMENTO
PARA AMAR O ENTRETERIMENTO
FALSIDADE
PARA NÃO ADMITIRMOS SER
PARA NÃO ADMITIRMOS SER
INSPIRAÇÃO
PARA SENTIR A SENTELHA DIVINA
PARA SENTIR A SENTELHA DIVINA
ELEVAÇÃO
PARA CHEGAR AO TOPO
PARA CHEGAR AO TOPO
QUEDA
PARA A VITÓRIA SER AINDA MELHOR
PARA A VITÓRIA SER AINDA MELHOR
MUROS
PARA NOS SEPARAR DO MUNDO
PARA NOS SEPARAR DO MUNDO
CERCAS
PARA NOS SEPARAR DOS OUTROS
PARA NOS SEPARAR DOS OUTROS
ESTRELAS
PARA ILUMINAR A NOITE
PARA ILUMINAR A NOITE
TELEFONE
PARA NOS CONECTAR COM QUEM CONHECEMOS
PARA NOS CONECTAR COM QUEM CONHECEMOS
REDE
PARA NOS CONECTAR COM QUEM NÃO CONHECEMOS
PARA NOS CONECTAR COM QUEM NÃO CONHECEMOS
EMPREGO
PARA HONRAR O PÃO DE CADA DIA
PARA HONRAR O PÃO DE CADA DIA
POLÍTICA
PARA ENRIQUECER UNS E EMPOBRECER OUTROS
PARA ENRIQUECER UNS E EMPOBRECER OUTROS
SOCIEDADE
PARA NOS DOMESTICAR E CIVILIZAR
PARA NOS DOMESTICAR E CIVILIZAR
CIVILIZAÇÃO
PARA NOS DIFERENCIAR DOS BÁRBAROS
PARA NOS DIFERENCIAR DOS BÁRBAROS
HUMILHAÇÃO
PARA NOS TORNARMOS GRANDES DIANTE DOS PEQUENOS
PARA NOS TORNARMOS GRANDES DIANTE DOS PEQUENOS
OPINIÃO
PARA NÃO SER DISCUTIDA
PARA NÃO SER DISCUTIDA
MÚSICA
PARA OUVIR E CALAR QUEM OUVE
PARA OUVIR E CALAR QUEM OUVE
HARMONIA
PARA QUE TODOS SE DIRIJAM A UM PONTO
PARA QUE TODOS SE DIRIJAM A UM PONTO
PERFEIÇÃO
PARA PERSEGUIR INCANSAVELMENTE
PARA PERSEGUIR INCANSAVELMENTE
PSICANÁLISE
PARA DELIMITAR OS SONHOS
PARA DELIMITAR OS SONHOS
NIILISMO
PARA PROVAR QUE RUIM PODE PIORAR
PARA PROVAR QUE RUIM PODE PIORAR
CHUVA
PARA QUE POSSAMOS SOBREVIVER
PARA QUE POSSAMOS SOBREVIVER
DINHEIRO
PARA QUE POSSAMOS SOBRE...VIVER
PARA QUE POSSAMOS SOBRE...VIVER
DOENÇA
PARA NOS SENTIRMOS FRÁGEIS
PARA NOS SENTIRMOS FRÁGEIS
ESPORTES
PARA NOS SENTIRMOS FORTES
PARA NOS SENTIRMOS FORTES
DESCARTES
PARA PENSARMOS, LOGO EXISTIRMOS
PARA PENSARMOS, LOGO EXISTIRMOS
SARTRE
PARA NOS CONDENARMOS A SER LIVRES
PARA NOS CONDENARMOS A SER LIVRES
NIETZSCHE
PARA DIZER QUE DEUS MORREU
PARA DIZER QUE DEUS MORREU
RELIGIÃO
PARA PROVAR QUE DEUS ESTÁ VIVO
PARA PROVAR QUE DEUS ESTÁ VIVO
CURVAS
PARA DINAMIZAR ESTRADAS RETAS
PARA DINAMIZAR ESTRADAS RETAS
ESTRADAS
PARA DAR VALOR AS VIAGENS
PARA DAR VALOR AS VIAGENS
SUMIR
PARA QUE DÊEM VALOR QUANDO VOLTAR
PARA QUE DÊEM VALOR QUANDO VOLTAR
DESEJAR
PARA CADA LUTA TER RECOMPENSA
PARA CADA LUTA TER RECOMPENSA
NOME
PARA QUE DEIXEMOS DE SER NÚMEROS
PARA QUE DEIXEMOS DE SER NÚMEROS
NÚMEROS
PARA PROVAR QUE NEM TUDO QUE NÃO SE VÊ NÃO EXISTE
PARA PROVAR QUE NEM TUDO QUE NÃO SE VÊ NÃO EXISTE
RELÓGIOS
PARA DEMARCAR O TEMPO IRREVERSÍVEL
PARA DEMARCAR O TEMPO IRREVERSÍVEL
FOTOGRAFIA
PARA REVERTER O TEMPO
PARA REVERTER O TEMPO
MORAL
PARA JUSTIFICAR A VERGONHA DE SENTIR
PARA JUSTIFICAR A VERGONHA DE SENTIR
LOUCURA
PARA JUSTIFICAR A LIBERTAÇÃO DO EXTINTO
PARA JUSTIFICAR A LIBERTAÇÃO DO EXTINTO
RACIOCÍNIO
PARA JUSTIFICAR A PRISÃO DO EXTINTO
PARA JUSTIFICAR A PRISÃO DO EXTINTO
EXTINÇÃO
POR QUE A VIDA É ETERNA, MAS NÓS NÃO
POR QUE A VIDA É ETERNA, MAS NÓS NÃO
BOMBA
POR QUE TEMOS PODER, NÃO SABEDORIA
POR QUE TEMOS PODER, NÃO SABEDORIA
MAL
POR QUE NUNCA SOMOS CULPADOS
POR QUE NUNCA SOMOS CULPADOS
BEM
PARA TRILHAR O CAMINHO DA SALVAÇÃO..."
PARA TRILHAR O CAMINHO DA SALVAÇÃO..."
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quinta-feira, 1 de abril de 2010
A curvatura do paradoxo linear
A arte é um verbo
que conjugo no olhar
A chuva é uma música e o céu
meu maestro
Toco os lábios do chão
e o tempo se dobra em mil relógios amadurecidos
O tempo é ciência contida em uma pintura
A árvore tem frutos ocos
me observando com seus olhos azuis.
Se a arte é um verbo
vejo seus pretéritos borrados
futuros esculpidos
presentes bordados
A arte é um verbo sem regras
escrito em cadernos sem linhas
Verbo sem letras, num tempo sem relógios
Uma bala perdida
então se encontra
um corpo encontrado
a vida perde.
Jogo do destino
o beijo da morte
Jogo do destino
que encerra o forte
Golpe fatal, suspiro final
De vida não vista, de morte surpresa
O último espanto
em queda um pranto
Dor que não sente
Sangue fluente
A morte num jogo
que a vida não ganha
cruel é o destino
mão dadas com a fatalidade
Tão pré-calculado
dos anos de glória
dos anos de queda
sorriso aos dentes
coração de pedra
Um grande doutor
perdido no amor
frustrado em vida
encontrando na dor
Parado na rotina
que o fim encontra
o que nunca foi capaz de ter
nos dourados anos de inércia
finda no paradoxo do acaso
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Reflexões sobre a impessoalidade
A vida é tão involuntária.
A vida é tão cuspida, escarrada.
Ah, a vida é tão insuportavelmente viciante que deveria se ter tratamento pra se livrar do vício da vida.
A morte é tão inconveniente.
A vida é tão impessoal. Tão obrigatória. Não escolhemos nascer, não escolhemos nosso nome, não escolhemos crescer. Crescer, viver, morrer, sonhar.
Somos um emaranhado de automatismo impessoal.
A morte é tão estraga prazeres.
Tão aliviante, se nada mais for além dela.
Não acredito no inferno. Acredito no divino, mas acima de tudo na bondade do divino, não na punição que possa existir no além. Não acredito no ser humano, nem na bondade da maioria deles. Somos inteligentes, e por isso falhos. Somos conscientes. Somos livres.
Liberdade mascarada de um sistema que nos prendeu, ainda que livres sejamos.
Acredito que o mal exista.
O mal é originado da distorção da mente humana. É natural, ainda que cruel como uma doença.
Um vício.
A vida é então, cruel em sua essência.
A crueldade do homem é uma resposta.
Podemos ser salvos?
Nascemos condenados.
Vivemos perdidos.
Morremos sozinhos.
Ainda que acompanhados...
Ah, a vida é tão insuportavelmente viciante que deveria se ter tratamento pra se livrar do vício da vida.
A morte é tão inconveniente.
A vida é tão impessoal. Tão obrigatória. Não escolhemos nascer, não escolhemos nosso nome, não escolhemos crescer. Crescer, viver, morrer, sonhar.
Somos um emaranhado de automatismo impessoal.
A morte é tão estraga prazeres.
Tão aliviante, se nada mais for além dela.
Não acredito no inferno. Acredito no divino, mas acima de tudo na bondade do divino, não na punição que possa existir no além. Não acredito no ser humano, nem na bondade da maioria deles. Somos inteligentes, e por isso falhos. Somos conscientes. Somos livres.
Liberdade mascarada de um sistema que nos prendeu, ainda que livres sejamos.
Acredito que o mal exista.
O mal é originado da distorção da mente humana. É natural, ainda que cruel como uma doença.
Um vício.
A vida é então, cruel em sua essência.
A crueldade do homem é uma resposta.
Podemos ser salvos?
Nascemos condenados.
Vivemos perdidos.
Morremos sozinhos.
Ainda que acompanhados...
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
O Rascunho
A existência é um mero acaso, um encontro de improbabilidade com absurdo. O tempo é tão somente uma ilusão para delimitar a existência. Jamais fomos por que não lembramos plenamente do que éramos. Jamais seremos o que idealizamos, ainda que possamos nos aproximar. Jamais estamos sendo, por que estar sendo já é ter sido. Logo, o tempo é a grande ilusão na qual não podemos impedir o que se foi nem alterar o que virá a ser. Não nos resta nem o momento, por que este jamais faz parte do que somos. Existir é assim um estado imaginário. A única certeza que temos é que existimos, ainda que seja questionável, já que o conceito de existência se limita ao que determinamos que seja essa existência. E se o que pensamos ser existir não passar de um mero conceito para não-existir? E se formos formas de vida indeterminadas soltas nas páginas de um livro cósmico? O que nos garante que estamos aqui é somente um conceito. Eu existo, e meu pensamento comprova que estou aqui. Mas e se todo o restante for somente um recheio mental pré-estabelecido pela minha vontade de achar que existo. Não posso provar que existo, nem que o que penso é real. Posso ser só parte da mente de quem existe para preencher determinada lacuna na história deste. Posso ser somente um pensamento achando estar vivo. A humanidade inteira pode ser um teste, um rascunho do que virá a ser a vida. Não estamos aqui vivendo, mas somente probabilizando. Somos variáveis testando erros para que, quando a vida for criada, todas as possibilidades de erros tenham sido testadas e anuladas, criando uma humanidade perfeita, livre de erros. Pena não podermos contemplar tamanha beleza de perfeição. Mas e se pudessemos escapar. E se pudéssemos quebrar as amarras da imperfeição e alcançar aqueles que seremos sem erros? Guerra? Paz? Quem será capaz de préjulgar o que faríamos, o que nosso instinto de preservação da vida nos impulsionaria... Ah, a beleza de imaginar o absurdo é que não se há risco que nele se acredite, tornando-o teoricamente impossível e por isso mesmo capaz de ser.
Durante muito tempo de minha vida, vivi sem a segurança de um rascunho, sem grandes aventuras ou expectativas. Vivi mediocremente, com medo de não poder passar a limpo os erros. Só com o tempo aceitei os erros como lições e aprendi que podemos sim rascunhar enquanto vivemos e, porque não, nos arrepender e voltar atrás, engolindo tolos orgulhos. Nada é definitivo. Cabe a nós determinar originais e rascunhos em nossas vidas.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Onde a inocência se acaba...
Inocência. É dificil falar sobre ela nos tempos atuais. Digo isso por que já presenciei muitos fatos que comprovam que a inocência e a pureza são escassas.

Já fui inocente, hoje entendo bem mais da máquina do mundo, dos movimentos das pessoas e dos conflitos de interesses. Mas devo confessar que nos seis últimos anos da minha vida, passei a me conhecer e me aceitar mais como ser humano que tem direitos e deveres de amar quem quiser. Sexualidade não é opção, é obrigação. Devemos aceitar ou encarar uma vida de mentiras.
Quando iniciei minha faculdade, a qual completo este ano, ainda era um inocente sonhador que queria encontrar o grande amor de sua vida em um local romântico como uma viagem para longe, um parque inspirador ou qualquer outro lugar cheio de poesia e significado. A vida aos poucos nos mostra o quanto sonhamos, mas não ligo de sonhar. Sou romântico por natureza.
Em uma de minhas idas para a faculdade, aconteceu um fato que digo ser a transição do romantismo para a realidade nua e crua. Estava eu, de pé em meio à lotação do trem da manhã, provavelmente com sono, e do nada vi um cara ao meu lado. Bonito, usava um boné quase cobrindo os olhos por completo. Minha mão segurava o ferro de apoio, e lentamente, senti alguns dedos tocando minha mão.
Aquele garoto estava, vagarosamente tocando minha mão...
Com o tempo,descobri que o último vagão era o local onde as coisas aconteciam. Homens discretamente pegando em seus órgãos íntimos enquanto olhavam para outros, troca de olhares, insinuações. Mais um tempo e descobri que em determinada estação, o último vagão virava um vagão de pegação gay. Isso mesmo, ali eles se reuniam e faziam todo o possível, principalmente sexo oral. Eu e Ed estávamos indo à cidade uma vez e dois rapazes conversavam e olhavam para nós. Sentimos que eles estavam incomodados com nossa presença. Então, eu disse: "Podem ficar à vontade." Pra que fui dizer?! Começaram ali mesmo um sexo oral. Tivemos até que mudar de lugar para não ver a cena.Seus dedos tocaram levemente nos meus. Senti o rosto enrubecer. Era real aquilo?
Na primeira vez que tentei ir à parada gay, se não me engano foi no primeiro ano de faculdade, só cheguei à metade do caminho. Conheci um cara, cujo nome não me recordo, feio de dar dó. Ele me viu sentado na estação e veio falar comigo,dizendo que seguindo ao ponto final daquela linha, poderíamos curtir um momento à sós e que eu nem imaginava o que acontecia por ali. Obviamente que eu não fui, mas o achei bem divertido. Também não fui à parada, faltou coragem. Com o tempo, comecei a observar o que acontecia naquele determinado vagão, indo até aquele ponto final. Percebi trocas de olhares para mim. E na estação final, um esquema relacionado ao banheiro. Sim, os gays iam no banheiro para completar a diversão. Alguns me acenavam. Outros tentavam sinalizar. Nunca acompanhei ninguém. Há algo que chamo de índole, essa cada um tem a sua, vem de berço. Cada um escolhe seu caminho.
Dedos se tocavam. A minha inocência me levou para longe. Será que eu era capaz de perguntar seu nome? Será que finalmente estaria tendo contato com meu primeiro namorado? Será que ele estava apaixonado por mim?
Há um lado negro em toda história. O lado negro dos homossexuais é recorrer a determinadas atitudes para conseguir seus objetivos. Atitudes que não concordo. Se há hotéis, motéis, baladas, barzinhos, por que ir a uma estação, correr risco de pegar doenças de banheiro, por que se submeter a isso? Não é mais fácil agir normalmente? Nunca seremos nada além do que somos sem dignidade. Não vou negar que já me aproveitei da situação e que já não tive boas ficadas no trem, por que estaria mentindo. Mas jamais deixei ninguém fazer nada além de beijar-me. A sensação de perigo, a emoção de fazer algo aparentemente proibido,tudo isso gera adrenalina. Mas tudo tem seu limite. E este limite que me separa de todos os outros. Não serei hipócrita dizendo que somente os gays fazem prevaricações e indescências, muitos héteros têm ações semelhantes ou piores. Só o que eu digo é que o que nos define é nossa índole.
Nossas mãos então se fecharam, uma em cima da outra. Estávamos conectados, em meio àquelas pessoas indo ou voltando de seus trabalhos, mergulhados em seus próprios problemas. Eu e o rapaz de boné estávamos ali, parados entre eles, de mãos praticamente dadas, como se o mundo inteiro não existisse.
O mundo nos rejeita. Cabe a nós criarmos mecanismos de defesa, escapes do cotidiano. É normal, as necessidades criam isso. Descobri que alguns gays vêm do outro lado de sampa só para sentir um pouco de prazer naquele local, naquele banheiro. No último fim de semana, encontrei um antigo colega de trabalho que me apresentou um grupo. Isso mesmo, um grupo cuja finalidade era ir caçar ali.
"O que você faz?" Perguntou um deles para mim.
"Ah, eu sou design, estou procurando emprego..."
"Não... o que você faz... por aqui?"
Sim, ele queria saber se eu curtia chupar, dar ou comer... Indignado, disse que só ia ali para beijar na boca, e eles riram com indignação. Graças a Deus eu não seria aceito no grupinho, mesmo por que não foi essa a vida que escolhi pra mim. Acabou que voltei para casa muito pensativo. Como aquele meu amigo do emprego, tão inocente quando trabalhou comigo, a ponto de, na época eu tê-lo chamado para a balada e ele ter respondido "Vamos à igreja" teria se transformado nisso, um cara que ia para a estação "bater uma" e se engaufinhar no banheiro. Me entristeci, percebendo o fim da inocência dele, por quem já tinha tido uma quedinha. Hoje em dia não conseguiria beijá-lo, pois pensaria até que ponto ele chegou. Levar uma vida na linha tênue entre estar saudável e contrair uma doença por bobagem... Não era para mim.
Chegou minha estação. Eu teria que descer ali. A mão do rapaz deixou a minha, e minha inocência não permitiu que eu passasse de estação e visse até onde aquilo chegaria. Mas amanhã era outro dia, pensei. O tempo passou e eu tentei todos os horários possíveis. Nunca mais o encontrei. Mas encontrei muitos outros com intenções semelhantes, olhares enganadores e pensamentos ousados. O proibido é mais gostoso, desde que feito com descência. Mas isso é minha humilde opinião.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Devoção Obsessiva
"Faces. Somos todos os dias nem mais nem menos do que podemos ser. Mesmo assim caímos em abismos por não ser suficiente aquilo que somos. Somos ingratos, por que nunca satisfazemos nosso ser. Diante da impossibilidade de encarar o que somos, lutamos para algo melhor. É condenável, por que como seres vivos não deveríamos desejar mais do que o suficiente. Sim, pecamos, desmoronamos e destroçamos o inimigo em nosso caminho para obter aquilo que mais desejamos. E diante do espelho, não há remorso, somente a vaidade e o desejo de obter mais queimando nossos espíritos. Vivemos em uma constante linear de desejos pseudonecessarios... dos quais precisamos obsessivamente. Conquistar, derrubar e aniquilar. Eis ai nossa necessidade mais básica. Eis nossa sina, não neguemos, mas aceitemos. Afinal, do que seriam os homens sem sua meta? Como encararíamos a nós mesmos sem nosso mais profundo desejo e a possibilidade de sua realização?"
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