sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Durante: Identidade, Déjavù e armadilhas do destino...



De manhã, tomei um chá pra tentar equilibrar meu inconstante estômago, mas não funcionou muito. Fui para a faculdade com a expectativa no auge. Animado, mandei uma mensagem:

"Está pronto pra hoje?"

E recebi a resposta:

"Estou a ponto de bala!!"
Otimista, fui para a aula, onde meu nervosismo atacou: A professora propôs que levantássemos e fossemos diante da sala nos apresentar como profissionais de designer. Dizer no que somos bons. Um a um, todos caminharam para falar um pouco de sí. O bipolar, a beata, o homofóbico, todos foram lá.
Chegando na minha vez, ainda temeroso, eu falei:
"Bom, nunca trabalhei na área de Designer, mas o meu foco principal é animação. Pretendo me especializar nessa área, faço animações experimentais que estão em um canal na web, pretendo me tornar um diretor de arte."
Basicamente foi isso, gostei muito de ter falado e ouvido o pessoal da sala. Fui pra casa e almocei. Minha mãe foi pra igreja à tarde e eu deixei um bilhete dizendo que iria dar uma saída. Fui pra República. No caminho, imaginando o que estava prestes a acontecer, fiquei todo empolgado, relembrando os momentos do parque em que estivemos juntos NAQUELA intensidade. Cheguei atrasado e ele estava com um pouquinho de raiva do atraso. Estava lindo com camiseta de botão preta e regata branca por baixo como eu pedi, calça preta e boné pra trás. TUDEBÃO!!
Caminhamos na direção do motel. Frio demais, fomos andando enquanto ele me contava o que houve enquanto me esperava.

"Um cara veio até mim e pediu pra eu ajudar com dois reais pra sua passagem, disse que me recompensava com comida. Eu dei os dois reais e falei que não precisava me recompensar, ai ele disse: 'Você foi o primeiro que me ajudou... Tem certeza que não quer comer?? Tenho uma bunda gostosa...'"
Indignado, perguntei se era bonito e ele respondeu que era bnitinho... Pelo menos ele é fiel...

Chegamos na rua do motel. Haviam algumas pessoas lá na frente. Ele parou.

"Não precisa ficar com medo, pode vir."

Passamos na frente do local, estava mesmo cheio de gente na porta, mesmo naquele frio de rachar. Passamos direto.

"Tenho que ligar pro meu amigo!! Ele tenque me dar coragem agora!!"

Disse o Tiago, começando a telefonar.

"Cara, cria coragem, resolve seus próprios problemas." (eu tentando me meter na amizade novamente)

Ninguém atendeu. Lembro-me que uma vez contei a ele do caso do loirinho boyzinho que travou na porta do motel. E lembro que ele deu risada.
"Rud, descupa, mas eu não consigo... Tem muita gente ali. Não tem outro lugar? Aqui não vou conseguir...
Saímos caminhando. No dia que vim em uma balada do Arouche, descobri um outro motel lá perto e fomos até lá.
"Eu tô imaginando a raiva que você tá..."
"Tô não... Ainda não."
Chegamos na porta. Estava aberto, porém na escada que dava à recepção, havia uma grade. E estava trancada... Encostei minha cabeça na grade, já imaginando o que estava prestes a acontecer. Desci as escadas e nos olhamos. Então eu disse:
"Como resolvemos isso? Quer ir no do Tatuapé?"

"Não vamos poder fazer mais hoje..."

Fiquei em silêncio, olhando com seriedade pra ele.

"Tenho medo de você terminar comigo por uma coisa dessas..."

"Não sou tão raso assim..."

"Mas tô vendo que você tá chateado."

"Não tô."

Nem disfarsei o quanto estava.

"Vamo no cinema?"

"Não. Depois daquele parque, não posso ficar mais perto de você, pois é capaz da gente ser preso!!"

"Por favor..."

"Vou ser sincero com você: Não estou chateado com você por não entrar lá... Mesmo por que quero que seja uma coisa que nós dois queiramos... Assim como você é paciente comigo em minhas nêuras, vou ser com você. Só o que me chateia é essa situação... É você saber o por quê de termos vindo aqui hoje e dar pra trás na hora 'H'. Só isso. Mas não tô chateado com você. Só não espere que eu abra um grande sorriso, por que não vou fazer isso."

Caminhamos até a praça e foi ali que eu senti algo inexplicável. Nos sentamos bem próximos, ambos com aquela vontade louca de nos abraçar e nos beijar, mas com o mundo à nossa volta como um imã em negativo, nos afastando. Eu, marrudo, não querendo ir no cinema, com aquela raiva pronta pra explodir. A raiva, obviamente, não é por não transar naquela tarde, mas por estar me relacionando com uma pessoa sem coragem de estar comigo, sem coragem de enfrentar seus medos e o mundo por mim... Essa era minha raiva, de todos os tabús que sou capaz de vencer e que ele não é. Raiva de estar lutando sozinho... Por tudo isso, senti o olho lacrimejar, como um soco no estômago, como um engasgo na garganta...

"Que olho molhado é esse, Rud?"

"É esse vento frio... Meu olho tá ardendo..."

"Vamos no cine, quero um tempo com você..."

"Não vou no cinema, Tiago..."

"Então vamos embora."

Levantei do banco. Aquilo era meu sim. Viemos embora...

Após abraçá-lo na estação e deixá-lo ir, sentei no banco do metrô, ainda engasgado com toda a situação. Aquele dejávù do dia em que o loirinho boyzinho me ensaiou e não cumpriu minhas expectativas. Aconteceu tudo de novo.

Sentei no banco da Barra Funda e liguei pra Hayashi, que agora trabalha em sampa.

"Deu tudo errado..."

Combinamos de nos encontrar na estação de Osasco. Eu coloquei a toca devido ao frio. Foi então que, diante de mim, me deparei com uma inesperada armadilha do destino...

Do outro lado da estação de trem, na outra plataforma, entre centenas de pessoas esperando o trem, meus olhos conseguiram vê-lo de pé, ironicamente diante de mim. Edgar. Pra quem não se lembra dele, leia aqui:


Sim, meu pior inimigo de meu último emprego, o homem que (não contei aqui) foi capaz de voltar à empresa na noite que foi demitido pra tentar me matar na saída por ter atribuído a mim sua demissão (um dia termino a minissérie da OBI suprema, rsrs...). Levantei imediatamente e coloquei a mão na boca, como se à protegesse do frio. Com a toca e a mão na boca, era impossível ele me reconhecer. Então, olhei fixamente pra ele, que me olhou também fixamente. Eu sabia que ele não podia me reconhecer, mas haviam dúvidas em seus olhos. Será que ele tava sacando?

Nunca saberei. Seu trem chegou... Graças a Deus. Espero ter sido nosso último encontro.

Encontrei a Hayashi e contei os últimos acontecimentos. Na hora de nos despedirmos, ela me deu uns bons tapas na cara (simbólicos).

"Você está perdido, Rud. O que você precisa é de uma definição. É saber quem você é. Você se forma no fim do ano. Chegou aquela hora de saber o que você vai querer pra sí mesmo daqui pra frente. Qual sua meta. Estabelece um objetivo, aquilo que você quer ser, não importa o que seja. É como se fosse um alvo. Ai você vai caminhar até ele, não importa o quão longe esteja. Se formar é só o primeiro passo."

No mesmo dia em que me apresentei como Designer na sala... No mesmo dia que a crise de identidade do Tiago atacou de novo... Sou incentivado a achar quem eu sou no meio desse turbilhão. Identidade... Como é difícil a definição de sí próprio. De noite, lembrei de como fiquei diante da situação com o Tiago. Totalmente anormal...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Antes: Nosso Lugar ao Sol Versus Tiago: Homofobia internalizada



O meu relacionamento com o Tiago alcançou um mês e pouco de vida e só uma certeza pairou entre nós: Precisamos fazer sexo!



Já saímos juntos, ficamos de pegação, vivemos bons momentos, mals momentos, brigas, reconciliações, carícias e críticas. Muitas DR também. Só uma coisa não foi vivida: O tal do sexo.



Não sei se vocês se recordam mas pra mim em um relacionamento, três coisas contam. Sexo é a terceira. Não é a mais importante, mas é importante. Afinal, é o apse, é o teste final se toda a química faz sentido. Claro que se for ruim, não iremos desistir. Mas se por cinco vezes seguidas for ruim, não tem nem o que dizer, significa que não rola.



O grande problema com o Tiago é seu preconceito. Ele já me disse coisas horríveis sobre sua repúlsa ao universo gay, sobre como não faz parte desse universo e considera-se meio que superior a tudo isso por ser bi e até chegou a citar pessoas que vão a barzinho na república como "passivonas". Muitos desses termos e manifestações já me motivaram a crer que nosso relacionamento não vai longe. Não vou namorar alguém que não se aceita como gay e se acha melhor que gay por ter diferentes opções.



Escutei diferentes opiniões sobre tais manifestações:



Fulano: "Na boa, eu já tinha terminado. Você deixa esse cara te tratar assim, isso é errado. É muita mancadinha."



Segurança: "Ele sofre de algo muito frequente para pessoas mais novas como ele: É o chamado MEDO da exposição. Ele viu coisas que não gostou e que não quer para si. Acho que trabalhando ele, você consegue uma coisa legal! Sinto que ele tem muitos medos com relação ao que é..."



Ed: "Você mereceu o que ele disse. Ele só pagou com a mesma moeda tudo aquilo que você fala dele. Aqui se faz, aqui se paga."



Temos o racional, o emocional e o prático. Considerando a opinião de cada um, estou tentando trabalhar a pessoa, mas sei que não tenho muita paciência nesse quesito. Quero alguém que se aceite e goste do que é, e que não tenha medo de entrar em barzinho e de sair comigo assumindo ser o que somos. Isso não posso exigir dele, rapaz novo, confuso e cheio de medos.



No domingo, fomos ao parque da água branca e depois de muito caminhar (sob algumas reclamações dele), seu celular tocou. Era seu melhor amigo (o equivalente ao que o Fulano é pra mim) e eu falei um pouco com ele. Pareceu uma pessoa legal. Já vi fotos, e o Tiago parece meio que pagar um pau pra ele. Cara bonito, cheio de si, diz que é ativo, ousado e que transa muito (15 vezes numa noite = conversa fiada...), é aquilo que o Tiago provavelmente considera um homem ideal, ou um gay ideal, aquela pessoa que o inspira e que o faz ter tantas idéias (erradas) sobre o mundo GLTB. Na batalha entre Rud e o melhor amigo de dez anos do Tiago, Rud não terá vez. Mil vezes mais fácil trocar o "namorado" do que o amigo. Isso é fato e é o que eu faria. Competir com o melhor amigo é impossível. E nem vou entrar nessa briga.



Ainda no parque, eu e Tiago subímos uma escadaria que dava no segundo andar de um casarão trancado, que abre as vezes para exposições. E ali entendemos as necessidades incontroláveis que temos de dar o próximo passo. Rolou uma pegação de um jeito como nunca tinha rolado, com uma intensidade superior a muitas outra intensas que tive. Saindo do parque às seis, atravessamos o minhocão (grande ponte de uns dois ou três quilómetros que atravessa São Paulo através dos prédios) interditada de domingo e conversamos de vários assuntos, combinando de acabar com nosso fogo na terça. Chegamos na República e sugeri acabar com aquilo naquele momento, entrar em um motel ali mesmo... Mas estávamos mortos de tanto andar.



O grande problema é: Tiago não é uma boa pessoa. Estar com ele é conviver com a arrogância de alguém que está além de mim, que acha sempre que é mais do que eu simplesmente pelo fato de ser bissexual. Seu amigo reforça seu ego bilateral com a pose de ativo viril e poderoso, insentivando-o a manter seus preconceitos. E à distância, não gosto de conversar com o Tiago, pois parece escrever o que é conveniente, pensa demais. Quando o encontro, não sei o que acontece mas todo aquele ódio que tenho de sua personalidade construída para ocultar seus medos (isso se segurança estiver certo) simplesmente some, desaparece. Dá lugar a uma vontade de estar com ele, de querer abraçar e beijar e de se consumir nas chamas, o que aumenta com sua constante esquiva e medo de ser pego. Quanto mais nega, mais aumenta o fogo. Tudo isso é causado pela tal da expectativa...



Então, o sexo é a solução. É decretar o fim dessa chama, é tirar a camada que me cega e me levar a enfrentar a realidade por trás do desejo. É determinar se eu quero o Tiago como pessoa ou como corpo. Muitos acham que eu devia esperar. Mas quero saber logo em que território estou pisando. Será como abrir meus olhos...



Essa minissérie é mini mesmo, terá três episódios. No próximo: A consumação...

O porquê, Dicas ao Sol e pai



Hoje me peguei triste pensando em algumas coisas. Entre elas, o fato de não saber se estou sendo lido nesses últimos posts. Ainda bem que conheço pessoas legais que o lêem e que me lembraram do real objetivo que tenho em escrever o Nosso Lugar ao Sol:



EU ESCREVO POR QUE GOSTO DE ESCREVER, LEIA QUEM SENTIR QUE DEVE.



Acho que o que sempre gostei no meu blog foi de minha liberdade de expressão, falar do que quero, na hora que quero, sem temer julgamentos alheios. O que mais me deixa contente é que eu jamais me distanciei dos meus leitores. Vejo blogs por ai em que faço comentários que nunca são respondidos, aqueles escritores que chamo de inalcançáveis, que acham estar no topo e desvalorizam a comunicação com aqueles que os creditam. E isso é algo que posso me orgulhar. Nunca ignorei um leitor meu e sempre respondi os comentários, fossem dicas, elogios ou críticas. Posso ter exagerado no comentário do meu leitor furioso, mas foi necessário, por que a coisa estava tomando proporções até perigosas. Peço desculpas por certas colocações que usei, já que escrevi bem furioso e chateado, mas não por ter direcionado o post à ele, já que isso foi necessário. Comunico ainda que estou tirando o post do ar para evitar polêmicas, afinal, o recado foi passado.



Não sei se é um erro querer conhecer meus leitores e até me envolver com eles, mas sei que eu sou assim e acho difícil mudar isso. O mais importante é que continuarei escrevendo esse blog por que gosto de escrever e gosto de saber que alguns me lêem, ainda que um só esteja lendo, fico feliz!!



Dito isso,vamos às dicas de hoje:

Muito bom esse vídeo sobre inversão de valores, que eu vi no blog

http://blogdosakamoto.com.br/2010/08/06/a-cura-para-a-homossexualidade-e-o-cristianismo/#comments



Interessantíssimo também é ver os comentários (mais de 300) no blog do Sakamoto, cristãos se digladiando contra homossexuais, cristãos e não cristãos, gays contando relatos do quanto podem viver bem sendo gays e cristãos, enquanto que os cristãos continuam como sempre demonstrando sua imparcialidade, como se ser gay fosse acordar de manhã e dizer: Hoje serei gay, tal como um ateu ou não-cristão pode acordar um dia e decidir ir à igreja louvar a Deus.

Eu já fui cristão, mas infelizmente os ataques e alfinetadas constantes contra meus semelhantes acabaram me afastando da igreja. Hoje creio em Deus, mas não creio na instituição dirigida pelos homens. E discutir esses temas acaba se tornando inevitável nessa sociedade imparcial que vivemos. 







Muito engraçado também esse comercial sobre gel lubrificante, kkk. Bizarro...






Se seu amor é ilimitado.... cuide de você e dos outros. Rsrsrs...



http://www.youtube.com/user/wickydkewl



Aqui vai um canal do único vlog gay que achei interessante (depois terei que falar de outros Vlogs, brasileiros, muito interessantes que tenho visto ultimamente) apesar de não ter procurado muito. O rapaz só filma sem camisa, pra provocar, eu acho, rsrs. Bem legal o vlog, um dia terei coragem pra fazer um.



Ontem foi dia dos pais e era pra eu ter postado isso aqui, mas acabou não dando tempo. Feliz dia dos pais a todos os pais que me lêem (kkk, nenhum, acho) e a todos os pais dos meus leitores, e a meu pai também, rsrs)



Reparei que nunca falei do meu pai por aqui. Acho que é devido à distante relação que temos. Ele é muito apegado à minha irmã e eu à minha mãe, nunca fiz muita questão de conversar com ele, nem imagino sua reação quando souber de mim, principalmente por já tê-lo visto muito sereno e MUITO descontrolado. Ele bravo já me deu medo... Tínhamos brigas constantes quando nos mudamos pra casa nova, mas nossa relação ficou instável quando eu ainda era pequeno, lembro que ele começou a trabalhar no taxi e sua personalidade mudou muito, ficou distante e ele e minha mãe só brigavam. Eu, apegado à minha mãe, ficava do lado dela. O tempo passou, minha mãe e meu pai se entenderam mas eu nunca esqueci a época do taxi... E nossa relação perdura instável até hoje.

O mais estranho é relembrar o quanto éramos ligados. Uma vez eu sofri um acidente (devia ter uns seis anos de idade) e bati a testa na escada (tenho a cicatriz até hoje) e meu pai me pegou com sangue jorrando e foi até o meio da rua, parando um carro pra me levar pro hospital. Enquanto eu era levado pra fechar o ferimento, gritava "pai, pai", o qual tinha ido trabalhar, enquanto minha mãe estava lá. Não sei quando tudo mudou, mas hoje nossa relação é muito distante. Ás vezes penso que ele nem sabe o que é gay, homossexual, homofobia, tamanha a alienação e falta de interesse. Pior é a idéia que a mídia vende e que ele muitas vezes compra. Ainda assim, gosto do meu velho, pois sei que mesmo fazendo muita burrada, ele é uma boa pessoa. Então feliz dia dos pais atrasado!!!



Fora isso tudo, espero muitos anos de Nosso Lugar ao Sol e nunca precisar me distanciar dos meus leitores para que me leiam. Até a próxima!!
sábado, 7 de agosto de 2010

Eu tô pronto pra namorar (!) (?)



Obrigado pelos comentários dos meus posts e obrigado Rud pela oportunidade de escrever aqui. Agora pra vocês mais um post do Primo.

Nestes últimos meses aconteceram algumas coisas na minha vida que me fizeram parar pra pensar em três perguntas: Porque eu quero namorar (relacionamento sério)? Eu sou muito jovem pra namorar? Estou pronto pra namorar?

O meu repertório de relacionamentos é pouco, sendo assim tenho pouca experiência, mas ao longo da minha vida fui formando a idéia de que deveria namorar sério. Ficar e depois largar na maioria das vezes me ocasionava um vazio no meu peito e assim eu conclui que eu deveria ter um namorado fixo.

Mas estou solteiro, SINGLE BOY. Primeiro que eu tenho algumas “neuras” sobre sexo e foi um assunto difícil na minha vida, que estou aprendendo a resolver. Segundo que eu sempre tive uma idéia ingênua que um rapaz nem muito lindo nem muito feio, inteligente e gentil iria aparecer na minha vida (até que apareceu, mas não deu certo). Terceiro que eu num saio muito pra “caçar” e num dou muita oportunidade pra conhecer pessoas, depois de trabalhar e estudar prefiro muitas vezes ficar em casa.

Eu estava lendo uma revista eletrônica GLS que possui um psicólogo que responde perguntas dos leitores chamada http://acapa.virgula.uol.com.br/ (que no momento o site tá indisponível, mas é muito bom eu recomendo) um rapaz de 19 anos pergunta se deve esperar pra perder a virgindade com alguém legal e sério ou ir curtir a vida com pessoas legais, mas sem compromisso até aparecer o tão cobiçado namorado. O psicólogo fala pra ele que seria interessante ele conhecer pessoas e “curtir a vida” e aumentar o seu repertório sexual ou comportamental em geral até aparecer alguém legal e ele estiver maduro.

Parece meio obvio essa resposta, mas é difícil chegar a essa conclusão e principalmente colocar em prática. A minha identificação com esse rapaz veio no momento que eu li.

Vamos começar a responder as perguntas propostas no começo do post.

1) Eu quero namorar porque primeiro é um dos exemplos de relacionamento que eu tive em toda minha vida. Os meus amigos e pessoas próximas falam que namorar é ruim, mas eles namoram. Segundo porque parece que há uma cumplicidade e uma intimidade sem igual que muitas vezes me causa inveja, eles vão ao cinema, ao parque, ficam juntos no domingo (o dia mais tediosos em minha opinião), tirando aqueles casais patológicos que não desgrudam e vivem em uma eterna simbiose, ter alguém junto parece ser maravilhoso. Terceiro que depois de pegar horrores em uma balada, chegar em casa e tudo aquilo ter sido momentâneo e nem haver um sms nem uma ligação nem um outro vinculo me causa um mal estar absurdo, um vazio que me deixa pra baixo. (Só um adendo: tem dias que me dá um “comichão” de ficar com todo mundo e depois largar. Acho que é próprio da espécie e principalmente pros machos do homo sapiens XY). E quarto um parceiro sexual fixo...hehehe

2) Acho que apesar de poucas experiências vai depender do envolvimento que irei criar com os meus possíveis “ficantes” e pretendentes pra saber se irei namorar ou não, sendo assim, dependerá do vinculo e do clima que irá se criar nos meus relacionamentos. Portanto não dependerá da minha idade.

3) Claro que eu estou pronto pra namorar!!! (PRETENDENTES, ESTOU AQUI!) E eu quero namorar. Mas enquanto isso vou viver cada dia com o que tenho e com o que posso. Quero conhecer gente e ter várias experiências. E eu continuo na interminável estrada do auto-conhecimento.

Leitores do blog eu queria saber a opinião de vocês sobre namoro e estarmos prontos pra namorar. Abraços pra todos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pendências: Parte Final: Velhas incertezas em tempos de agosto



Agosto... O mês das sombras, da angústia e da morte. Sempre houve uma lenda local sobre o mês de agosto. Notícias ruins chegam nesse mês agourento. É o mês que dizem ser o mais comprido do ano. E é entrando em agosto que finalizo essa minissérie. Tinha dito que o fim seria a grande decisão de uma pendência mas acabou não sendo. O fim fica marcado por mais pendências inconclusivas.

O estigma de agosto começou a revelar-se cedo. Domingo fui com meu amigo da facul DVD (o único que chamo de amigo na facul, mesmo sendo hétero e não sabendo de mim) ao Animamundi, evento de animação que foi sediado na Barra Funda e levou sua prima (linda) e o namorado dela (mediano, mas simpático). Não gostei muito de não ser avisado que eles iriam mas tudo bem. O evento foi bem legal, porém eu quis ver um pacote de filmes e a dupla de intrusos não quis. Pra não fazer desfeita, acabei indo junto com eles só pra ouvir a pérola da prima dele:

"Ecaaaaaaa.... que nojo... Duas mulheres se beijando..."

Revoltados, eu, o namorado dela e o DVD lhe chamamos a atenção:

"Baaaah, é normaaaal, larga a mãoo!!"

"É século 21!! Acordaaa..."

Fiquei até feliz com a reação do DVD. Mas queria ter visto a animação...

Na segunda, não teve aula. Fui ao médico remarcar uma consulta e passei raiva quando descobri que é para eu retornar com os exames que fiz na semana passada. Depois, no msn, tive uma discussão com o Tiago e nos desentendemos feio.

E hoje, tive meu primeiro dia de aula com uma professora chatérrima que também coordena estágios e que soltou a sentença:

"Quem não fez estágio ainda... está ferrado."

Além disso, passou um trabalho pra semana que vem, onde teremos que nos levantar e ir lá na frente nos apresentar e dizer no que somos melhores em Designer, a pergunta mais crítica que eu poderia receber nesse momento, já que as dúvidas bateram nessa reta final de facul (na qual me formo no fim do ano, sem muitas perspectivas).

Como se não bastasse, encontrei na facul a Bette (aquela minha "colega" que me considera amigo, com a qual estudo desde o pré). Eu marquei meio-dia no msn com o Tiago pra gente decidir o que faria hoje, dia de folga dele, e eu tinha que ir logo pra casa. Ela me pediu pra esperá-la ir na secretaria.

Esperei.

Depois ela pediu pra eu ir no último andar com ela.

Eu fui.

Após conferir LEEEEERDAMENTEEEEE o que queria no local, ela pediu pra eu descer de novo com ela, e eu disse que tinha compromisso.

"Não me deixa ir embora sozinha...."

O caminho dela normalmente é de ônibus, mas se ela fosse comigo, iria de trem, andando 15 minutos. Resolvi esperar, inventando uma desculpa pro Tiago (já eram 12:45). Na saída, ela olhou no relógio e disse:

"Ai, Rod... não vai dar tempo de ir com você... Entro às duas no emprego..."

Ódio. Ódio mortal... Tudo isso no 3° dia de agosto...

Eu contei semana passada que iria ter um momento a sós com o Tiago. Mas uma série de pequenos eventos acabou destruindo as tais expectativas. E gerou várias brigas entre nós em poucos dias. Brigas que me fizeram avaliar o relacionamento e se eu de fato conheço a pessoa com quem eu estou. Não vou ficar dissertando todos os problemas pra isso não virar uma chatisse, então resumindo:

O tiago não sabe tomar decisões ("Escolhe o lugar que a gente vai...")

O tiago não tem outro dia de folga senão terça (ótimo dia pra sair)

O tiago não entra em barzinho (nem gosta de beijar na rua, nem no Tatuapé, nem de ir na República).

Conclusão: O Tiago não está pronto para se envolver com homens.

Segundo o Tiago, eu também tenho certos problemas:

Eu sou reclamão e briguento.

Eu mudo de opinião muito rápido.

Meus problemas não atrapalham nossa relação. Já os dele praticamente anulam nossas possibilidades. Eu disse que ele não está pronto para ter um relacionamento com um homem enquanto caminhávamos hoje a tarde, mais precisamente às cinco da tarde no parque Vila Lobos, nesse frio de lascar. Nos sentamos em um banquinho, quase congelando, e ficamos namorando como se fossemos livres de todos os preconceitos do mundo, que sensação boa... O encontro, que era para ser mais uma DR, foi bom em diversos aspectos e esclarecimentos. Colocamos na mesa tudo que vem nos atormentando. Cheguei então a uma conclusão: Conversando, a gente se entende muito bem. O segredo é sempre a comunicação. E o melhor: Olhei pro Tiago e me peguei pensando: Pow, eu gosto desse carinha... Isso é uma coisa boa, considerando que pela fúria que eu estava horas antes no msn (com direito a palavrão que quase não falo) só faltava a gente se engaufinhar na rua.

Pendências resolvidas? Longe disso...

Certezas pro futuro? Nenhuma...

Agosto será um bom mês? ....