quarta-feira, 14 de abril de 2010

Desencontros e não-encontros



Não sou bom em encontros. É uma constatação que cheguei graças a experiências não muito agradáveis, que vou compartilhar agora.



Há mais ou menos um ano, ainda trabalhava na empresa de logistica e adicionei uma colega de trabalho com a qual quase não conversava no orkut. Um ato que em nada influenciou em minha vida. Exceto por um fator: Alguns meses depois, recebi um recado de um rapaz me adicionando. Fabrício era seu nome. De amigos em comum, tínhamos essa colega de trabalho.

Conversei com ele e não sei o que deu em mim, mas perguntei sobre ele e ele confirmou que era gay. Nossa, que coincidência. Demorou o maior tempão e marcamos um encontro no shopping da minha cidade. Peguei carona com minha irmã e consegui chegar atrasado. Quando cheguei lá, ele estava um pouco chateado com o atraso. Ainda assim conversamos e foi bem legal, com direito a selinho no ônibus diante de uma criança sapeca e tudo.

Mas não rolou mais nada, Fabricio começou a namorar e eu meio que o esqueci.

Então, passou o maior tempão e o encontrei no msn. Ele tinha terminado o namoro e decidimos nos encontrar de novo. Marquei na República, onde poderíamos ficar a vontade. Mas então aconteceu uma coisa estranha devido à falta de comunicação: Fabricio morava à duas estações da minha, e marcamos na República. Ao invés dele me esperar, ele foi na frente pra se encontrar lá. Resultado: Eu que achei que o pegaria dali duas estações cheguei na República com quase uma hora de atraso.

Quando cheguei lá, ele estava muito chateado e não queria papo, andamos para cima e para baixo, sem rumo e sem papo, eu com vergonha do atraso e ele nervoso. Então, me enjuriei do clima:

"Vamos embora, vai."

Sugeri, e na estação, eu disse que ia dar uma volta. Na verdade não queria voltar com ele até sua estação. Ele partiu. Nunca mais nos vimos...

Desencanei de encontros, até chegar esse ano. Não sei o que me deu para voltar a investir nisso. Marquei um com um cara do orkut e fui com cara e coragem. Cheguei lá e esperei meia hora.... uma hora... uma hora e meia...

Foi meu primeiro bolo, e infelizmente não foi o último.

Recentemente, tive uma fase de encontros. Marquei um com um cara de apelido Kyee. Fotos bem legais no orkut, cara boa pinta. Fiquei morrendo de medo, por que em algumas parecia um modelo. O encontro foi ótimo. Conversamos a tarde toda, umas oito horas seguidas explorando cada canto de osasco, ele contou basicamente os relacionamentos que teve até então e falou bem mais do que eu. Sentamos no shopping e seu papo me fascinou. Ele não era daqueles bonitos e metidos sem conteúdo. Gostei muito. Anoiteceu, e morto de tanto andar, acompanhei-o no trem até sua estação, com vontade de fazer daquele encontro algo inesquecível. Nem rolou. Depois acabamos nos tornando amigos por msn, e acho que nem rola mais.

Meu próximo encontro foi com o Max, o qual vocês conheceram há alguns posts atrás. Não deu muito certo e atualmente nossa amizade tem mais baixos do que altos.

O encontro seguinte foi até cômico: Conheci através de um site de relacionamento gay e o cara tinha um papo moralista (clássico) de quem queria arranjar um namorado pra compartilhar. Queria coisa séria. Peguei carona com minha irmã, carona essa que selou nossos destinos (para posts futuros) e eu e o cezar nos encontramos em um mini parque próximo à casa dele. Naquele dia eu estava impossibilitado de fazer algo, devido a limitações físicas (eu tava com a boca machucada por causa do aparelho) e levamos um papo legal. Ele era bem fortão e depois de um tempo falando dos ex e de quanto ele tinha personalidade forte e era meio louco, começou com insinuações.

"Eu sou só ativo e quando pego alguém... até me descontrolo!!"

Eu estava nervoso por causa da situação, morrendo de vontade de visitá-lo em sua casa mas sem poder por causa da minha boca, mas não queria falar isso a ele.

"Sua timidêz está prendendo seu sangue no testículo?"

Perguntou, então, com um ar de revolta.

"Por que?"

"Você não está excitado como eu..."

"AAhh... rs..."

"E então, Rod... Você vai transar hoje?"

"... Não..."

Logo depois ele teve que ir. É, isso por que queria um relacionamento, cara sério esse.

Conheci então um cara na estação de trem, o Fê. Ele foi bem ousado, sentou do meu lado e começou a me perguntar algumas coisas. Trocamos telefone, simples assim, e marcamos depois pra se encontrar em osasco. Mas ali não podia rolar nada e ele pediu que eu entrasse no banheiro ao lado do dele. Entrei, meio que sem entender e saí depois de um tempo, confuso. Ele falou que achava que dava pra passar por baixo da porta. Louco por sacanagem, não fazia bem o meu tipo. Acabamos perdendo o contato, queria que eu fosse na casa dele, mas eu não quis não. Quando falei de sair para bares, etc, alegou estar sem dinheiro, mas ele trabalhava em osasco, acho que não queria nada além de sexo.

Recentemente, conheci outro cara, Roberto, naquele mesmo site de relacionamento e conversamos por telefone. Foi um papo legal e no final da noite, me ligou e pediu que eu fosse até uma estação depois de minha cidade, pois ele passaria por lá. Eu fui, sai correndo de casa. Cheguei uns cinco minutos depois do combinado e ele não estava lá.

Esperei......................

Este foi meu segundo bolo. Ele me ligou, alegando que esperou lá mas que como eu não cheguei ele partiu e disse pra marcarmos algo no dia seguinte. Quando liguei (é, eu ainda liguei) e ninguém mais atendeu. Não entendo a lógica de certas coisas, acho que para algumas pessoas é legal tirar os outros de casa e se divertir com elas sendo feitas de palhaças. Cada vez que isso acontece comigo, fico mais convencido da falta de seriedade desse universo. É triste na maioria das vezes.

Desencanei. Parei de procurar por encontros. O insussesso me dominou. Foi então que ele surgiu.

Thinker.

Um dos leitores do meu blog. Papo muito legal, procura o que rolar com direito a algo sério... senti que a coisa nele é diferente. Depois de desmarcar em um fim de semana, tudo ficou certo para nos encontrarmos no sábado. Durante o dia, deixei o celular em casa para cuidar de um caso de família e após resolvido, fui encontrar o pensador.

E esperei, esperei....

Mais um bolo? Dessa vez não. Em casa, ele me disse no msn que me ligou a tarde, pois teve uma urgência familiar e não pôde comparecer. Haviam ligações no meu celular que por não saber de quem eram eu ignorei. Então não tinha nem como.

O fato é que o incerto a tudo permeia. Não enchergo possibilidades à curto prazo em relação a homens. Uma pena. Voltando do encontro não acontecido com o thinker, comecei a pensar em me afogar nos meus trabalhos pessoais, forma clássica de sublimação, e deixar todo esse investimento de lado. Consegui por anos, mesmo não tendo sido feliz na maioria das vezes. Será que pode haver felicidade em abrir mão de algo tão essencial como o amor? Como o afeto? Não sei se quero descobrir, mas o mundo costuma querer me provar que estar só é minha única opção. Não que eu me importe em guerrear contra o mundo pra provar que ele está errado... mas às vezes cansa, às vezes depor as armas não é um sinal de fraqueza, mas de bom senso..
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Ju... Pelos olhos da Ju




"Faz algum tempo que eu queria escrever algo, isso talvez. Não sei, na minha mente eu já escrevi tantas vezes que acho que o original era bem diferente do que está saindo agora.



A primeira vez que essa idéia surgiu na minha cabeça foi no dia do meu aniversário... Já faz quase um mês. Mas naquele dia eu estava indo ao Centro, passear com meu neguinho, comemorar o aniversário, enfim. Dentro do ônibus, ao passar sobre a ponte lá estava essa frase, é o anúncio de uma clínica de olhos, mas é engraçado como as coisas mais inesperadas chamam nossa atenção e uma maneira... A frase é simples, bem direcionada até, talvez quem a criou nunca pensou nela de maneira diferente... Talvez.

'Todas as formas de ver a vida'.

Isso pegou na minha cabeça, comecei a formular teorias e mais teorias na mente, sei lá, estava suscetível naquele dia, sempre fico, aniversário, fim de ano, meio que não consigo não ficar...
Fiquei com aquilo na mente, óbvio que o cara (ou mina rsrs) que criou aquele slogan se referia a ver concretamente, distinguir formas e cores com perfeição, curar os olhos, dar as pessoas condição de ver. Mas ver o que? Parei pensando o que significa ver a vida? De quantas formas podemos ver a vida? Comecei a observar, as pessoas ao meu redor pareciam nem ver a vida que os cercava, sim, porque a vida é muito diversa, está em pequenos detalhes com mais clareza do que nos grandes. Acho que ela se revela com mais sutileza e, no entanto, com mais força em uma formiga trabalhando no chão, em um pássaro parado sobre um muro, em uma criança brincando solitária na areia, em uma flor balançando ao sabor do vento do que em um grande aglomerado de pessoas que andam para lá e para cá, que se esbarram e nem assim enxergam as feições daqueles em quem deram o encontrão. No shopping um dia desses tinha uma mulher chorando desesperada no meio das pessoas, de um sem número de pessoas, ela tinha perdido o filhinho pequeno e precisava de ajuda para achá-lo... Um sem número de pessoas ao seu redor e nem meia dúzia se dignou a parar para acolher o seu desespero, o problema é que nem viram o seu desespero. Afinal, isso também é uma forma de ver a vida? No fim, uma das poucas pessoas achou a criança, final feliz, que bom! Finais tristes ficam melhor nos livros... O fato é que há muitas formas de ver a vida e observando o comportamento das pessoas naquele dia eu não gostei muito delas. Curioso, mas naquele mesmo dia tive uma aula de sociologia pela noite e foi ótima. No final da aula vimos umas imagens que serviriam para a composição de um trabalho, imagens fortes, imagens tristes, vidas maltratadas, olhos sem brilho, suplicantes por esperança. Tive vontade de chorar, alguns colegas davam risada... Não das imagens é claro, nem as viam, ou simplesmente elas não diziam nada... Todas as formas de ver a vida? É, acho que no fim são utilizadas poucas formas para ver a vida...
Hoje pensando um pouco sobre isso lembrei de uma outra frase que faz muito sentido pra mim, outra que ficou em mim, curiosamente no mesmo contexto, ver... Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos. Será que usamos o coração para ver as coisas, ou nos apegamos tanto aos olhos? Divagações... o que importa no fim é que usemos o coração, se não pra ver , no mínimo pra sentir, e não só amor, raiva, medo, mas para sentirmos também a brisa da vida soprando no rosto, porque a vida, essa sim precisa ser vista e sentida, mas com o coração."


Post escrito pela Ju, via Piauiiii!! Valew pequenaaaaahhh
sábado, 10 de abril de 2010

O caso Tom: Parte Final: Que o destino se encarregue...



Bom, finalmente o caso Tom chega a um fim. Um brilhante desfecho, diga-se de passagem.

Há alguns fins de semana atrás recebi a visita de um de meus quatro amigos, a quem chamarei de fulano, já que ele não quer seu nome divulgado aqui. Marcamos de sair, e depois de uns contratempos, estavamos vips na "T", a clássica. Lá, encontramos o ex-namorado do Ed, que eu sabia que pintaria por lá. Conversamos um pouco e fulano disse que ele era bonito e perguntou:

"Por que você não pega?"

Não. Era impossível. No passado, eu, Ed e Miller tivemos muitos contratempos. Comecei a me comunicar com Miller pelo gmail e o Ed, apesar de ter dito que concordava, meio que discutiu comigo por causa disso. E não, nunca havia rolado esse tipo de química entre mim e o Miller. A mais pura amizade. Acho que namorado de amigo deve ser encarado como mulher, mesmo após o término. Jamais o faria.

Curtimos a noite. O fulano não estava no pique, não queria se envolver com ninguém por causa de um rolinho que estava tendo e eu fui à luta. Dancei algumas horas, estava mesmo a fim de curtir a balada e só ficar sem compromisso nem trocar telefones. Alcancei o objetivo algumas vezes. Fiquei com quem quis ficar.

Somente um não foi alcançado.

Não sei seu nome. Não sei de onde ele é. Sei que usa boné, é um pouco mais baixo do que eu e vive na "T",conversando com caras mais velhos. Sempre nos encaramos nos cantos. Às vezes, traço metas, objetivos a serem cumpridos na minha vida. Este era um deles. Pegar aquele carinha e ver se algo mais rolava. Eu e fulano conversávamos nos banquinhos e de repente, ele surgiu. E meio que me olhando, falou:

"Oi..."

Eu respondi bem baixinho, mas então ele beijou no rosto o cara do meu lado. O "oi" não tinha sido para mim, que vergonha.

Aquela noite acabou sem alcançar a meta, apesar de todas as outras terem sido alcançadas. Sou meio desencanado em determinadas questões. Às vezes, quando estou com vontade de ficar e dou sorte que me retribuam, eu o faço, mas esses surtos são raros.

No dia seguinte, sábado, fui ao teatro com uma velha amiga que nunca citei por aqui. Não sei por que nunca falei dela. Acho que nunca surgiu oportunidade. Fomos eu, o namorado dela e o irmão dela em uma peça chamada NuConcreto, uma crítica à sociedade moderna e à globalização que vive afetando nossas vidas. Adorei a peça, adorei o sábado chuvoso, apesar de algumas insinuações com relação à homossexualidade feitas por pessoas de fora do universo que nem sonham que eu faço parte de tal contexto. Bette é minha colega (não considero amigos pessoas a quem não contei sobre mim), e por muito tempo quis contar sobre mim mas que por não sentir confiança nela, mesmo por que descobri algumas coisas que nunca sonhei a seu respeito apenas pelo seu irmão (isso por que ela se diz amiga), acabei jamais contando. Seu irmão começou a me perguntar o motivo de frases que em uma época coloquei no msn (as quais aparentavam que eu estava gostando de alguém, não lembro na época de quem foi), mas desconversei. Sei lá, não minto mais em relação ao assunto, se me pressionarem demais acabo contando, mas há um motivo importante pelo qual ninguém dessa família sabe de mim: O irmão de Bette é um dos melhores amigos do meu irmão, que nem sonha de mim. E que fique assim. Uma vez Ed viu o namorado de Bette e jurou de pés juntos que ele é gay. Mas isso é impossível... será?! Tenho uns indícios, mas nada concreto. Posso adiantar que ele é uma pessoa estranha.




Enfim, a peça foi genial, mas me senti meio mal por mentir para todos, por não poder ser eu mesmo. Não quero mais interpretar papéis nem ter que mentir para as pessoas sobre meus gostos. Por isso geralmente me afasto. E outra: São pessoas que, provavelmente quando souberem de mim, se afastarão automaticamente. Ao menos assim eu suspeito.

Encontrei o Tom, que eu readicionei no msn, online, e citei nossos encontros anteriores na "T" e na porta da "F", outra baladinha como "obras do destino". Pra que...

"Não, R, na boa, destino? Não vai querer falar de destino justo comigo, né?"

O mesmo niilista frio de antes, naquele momento me senti mal.

No domingo desse fim de semana, há quase um mês atrás, voltei à "T". Dançando na pista, avistei o Tom e nem fui até ele, desci para a pista debaixo. Encontrei novamente o garoto do boné, minha meta. Comecei a dançar bastante abaixo do ventilador, com o vento batendo em mim naquele calor insuportável. Tom desceu e começou a dançar naquela pista debaixo. Ele me viu. Veio até mim, me cumprimentou e deu a punhalada final:

"É o destino, né?"

É, com certeza era o destino. Ele continuou dançando longe de mim e então, de repente, o destino começou a movimentar suas peças.

O garoto de boné.

Tom.

Dançando.

Na mesma pista.

O garoto de boné então falou algo em seu ouvido.

Mais cochichos.

Não demorou muito, e o destino cruel se revelou.

Tom agarrou o garoto pelos braços e o levou lá para fora. Eu os acompanhei com os olhos. Eles começaram a se beijar. Estavam curtindo a noite. Minha noite acabou ali, óbvio. Meu passado obscuro e meu futuro não realizado se agarrando loucamente... Nunca tive uma noite tão chata naquele lugar. Mas o destino se encarregou de concluir o caso Tom de uma vez por todas. Acabou mesmo! Bola pra frente.
sexta-feira, 9 de abril de 2010

Prova, prova, provaaa!!!



Pessoal, estou encarando duas semanas de prova, muito estudo e pouco tempo, rsrs..... logo voltarei com novidades, tenham paciência.



PS: Prestes a ter um novo encontro, e se der certo (expectativas mantidas em nível médio, para não decepcionar ninguém) o acaso terá novamente batido as portas. Aguardemos, então.
quinta-feira, 1 de abril de 2010

A curvatura do paradoxo linear



A arte é um verbo
que conjugo no olhar
A chuva é uma música e o céu
meu maestro

Toco os lábios do chão
e o tempo se dobra em mil relógios amadurecidos
O tempo é ciência contida em uma pintura
A árvore tem frutos ocos
me observando com seus olhos azuis.

Se a arte é um verbo
vejo seus pretéritos borrados
futuros esculpidos
presentes bordados

A arte é um verbo sem regras
escrito em cadernos sem linhas
Verbo sem letras, num tempo sem relógios

Uma bala perdida
então se encontra
um corpo encontrado
a vida perde.
Jogo do destino
o beijo da morte
Jogo do destino
que encerra o forte

Golpe fatal, suspiro final
De vida não vista, de morte surpresa
O último espanto
em queda um pranto

Dor que não sente
Sangue fluente

A morte num jogo
que a vida não ganha
cruel é o destino
mão dadas com a fatalidade

Tão pré-calculado
dos anos de glória
dos anos de queda
sorriso aos dentes
coração de pedra

Um grande doutor
perdido no amor
frustrado em vida
encontrando na dor

Parado na rotina
que o fim encontra
o que nunca foi capaz de ter
nos dourados anos de inércia
finda no paradoxo do acaso